
Daqui não se vêem as orquídeas, podemos finalmente descansar.
A noite cobre-nos esse espelho. todos os outros já não existem,
fizeram-se de palavras ao mar. Só alguns peixes resistem, profundos.
Aquele bar de betão, de frente, é de uma noite diferente, não serve verbos. Bebe fadas nas bicas e serve pão anti-corrosão. Não vou a esse bar,
não há orquídeas para matar.
O dia começará amanhã com o piar
de um corvo branco, um vento entrará pela cortina azul da janela do quarto.
beberei a água do sonho e morrerei.
O convite para o funeral já seguiu para os correios,
neste momento, um general lacrará um selo real.
e dirá: morreu um poeta, quem quiser comparecerá, leve lírios e ciprestes,
algum deus o receberá.
um edital agiota proclama:
todo o morto nascerá.