dezembro 31, 2003

Feliz ano novo!

Feliz ano novo!

tudo começa outra vez
e para o ano outra vez
comnosco ou sem "nosco"

a vida continua
sempre melhor....

que outra coisa podemos desejar?

Publicado por constalves em 01:15 AM | Comentários (0)

Inverno

Inverno

gosto de misturar as palavras
com as cores do dia
as pedras roladas húmidas dos ribeiros com as ideias
beber os sorrisos das jovens com o verde viçoso das folhas
misturar o separado com o junto
as bicas com as línguas
as serpentes com as mãos.

As belas com as feias
correr o vento com o passo macio do meu andar
uma coisa com outra
para o abraço do verso

sublimar o vazio com coisas cheias


os gatos com as crianças
os elogios com as texturas
os poemas com os homens

construir um mundo onde se caiba direito com a imaginação em espiral
revolvendo a memória cinzenta
na lareira rubia
no namoro ao meu coração

encontrando o amor nas esquinas das nuvens que
se bamboleiam na esperança dos olhos e dos olhares

no longo Inverno
em que se pensa
e de tanto se pensar
se mata!

Publicado por constalves em 12:32 AM | Comentários (0)

dezembro 28, 2003

já não voo


Robert Motherwell

já não voo

já não voo.
os pinheiros sucedem-se
um atrás do outro
como o tempo
como a música, nota após nota
as nuvens vêem
atrás umas das outras
como os outros
um de cada vez
como num xadrez
lance após lance

já não voo.
tudo se sucede
com o seu espaço
o meu espaço também é tempo
agora vejo cada pinheiro
cada homem
cada mulher
cada criança.
depois o mar

e ainda o mar é o
que não tenho

o mar é o tempo cruzado e trocado
é o voo
que já e ainda não tenho.

Nestas promessas dos meus passeios
a S.Pedro de Muel
não há certezas,
só o encontro com o tempo,
o sucedâneo do meu verso
no poema do sono

Acordado não voo,
continuo no caminho
tenho um destino.

Na verdade por alguma coisa
o mundo é redondo,
para que o percuso
seja infinito
e o meu destino eterno.


Sem asas
o fio
dá lugar
ao sítio


um sítio é um tempo sem distância

Publicado por constalves em 11:49 AM | Comentários (0)

dezembro 26, 2003

entre rostos e palavras

entre rostos e palavras


entre rostos e palavras a erecção do tempo
como um vento
como uma brisa feita de seda
que nos dá a fresca existência
como um puzzle que se esclarece
que nos convida à ciência da solução, da conclusão

concluímos com a pele quente dos outros próximos de nós
uma flor na braça despida da árvore


e nós erguemos também um Inverno
mas sabemos ter as palavras quentes nos olhos e nos lábios
para os outros e para nós

O natal sempre existiu
a devoção só agora começa em mim
porque há rostos e palavras no mar
e o mar tinha coberto a cidade

e há um epicentro no poema
que extingue a memória longínqua
dos sacríficios sem razão

porque há rostos e palavras
e há um tempo que só os homens lêem
e era um desperdício não contar as horas na lareira
com a promessa dos rostos e das palavras

e há um mar sempre presente
trazido gota a gota nos olhos das mulheres e das meninas
e nos ombros dos homens
que enleia a ciência, os lábios, a ternura
e desfila o tempo naquela imagem fixa

de rostos e palavras
como o começo da vida.

Publicado por constalves em 05:09 PM | Comentários (0)

as bátegas do nada mar

as bátegas do nada mar


as águas quando claras podem ser nada

o mar vem até à cidade
vem de nada
e o silêncio que traz é nada
(o silêncio pressupõe um anterior ruído)
toda a cidade é vácuo
e essas bátegas de nada mar
encontram o vazio

um mundo sem homens é esta cidade deserta
não podemos hoje estabelecer a relação da nossa existência com um mundo sem ela.

Mas podemos assistir a essa circunferência
no recato do olhar pela janela transparente de encontro aos muros brancos

formiga a lareira, crepita o fogo no ar,vazio

hoje
um dia depois do Natal.

Publicado por constalves em 02:52 PM | Comentários (1)

dezembro 22, 2003

o dia mundial do dia


Modigliani


o dia mundial do dia

Podia ser partir o mundo
Cortar o corpo, mostrar o sangue
lavar os muros das sombras
pôr gravatas brancas
limpar o pêlo dos gatos
pôr broches nos olhos
correr os corpos com as línguas
colocar bandeiras brancas nos mares de cinza
recortar mentiras nos discursos
colher o sol nos beijos

tudo para ser
tudo o que se inventar
que não se invente
que seja
o que não se mostre
como a luz que deixa ver
e que a consciência inibida
omite e tapa

tudo num dia
num único dia seria dia

Publicado por constalves em 11:20 AM | Comentários (1)

deserto


deserto


Não tenho cardos defronte
para dizer
que agora há deserto
Mas se escrever um poema
o que dizer de tanto espaço?

Publicado por constalves em 11:08 AM | Comentários (0)

uma questão de luz


Daylight Fireworks by Pierre-Alain Hubert


uma questão de luz

Podemos escrever o poema
com a luz do dia
mas fica tudo por dizer
porque isto, aqui na avenida,
é só penumbra e pouca luz

Publicado por constalves em 11:04 AM | Comentários (0)

dezembro 21, 2003

Prefácio póstumo


Prefácio póstumo


Um diário não é um rol de solidões
Não é um breviário de sonhos
Nem uma enciclopédia de dores
Nem um altar de devoções

São palavras cosidas à mão
tecidas no tear da alma
com fios de solidão.
projectos que se contemplam
no científico epicentro
do eu geográfico do continente dos outros.

Não há ar nem vento
no papel amadurecido do diário
mas sim uma brisa de poesia que
trespassa o eu vibrante e vivido
E porque da palavra volátil
é imperioso que se faça matéria
a minha voz terá a espessura necessária,
tanto cómica como séria.

Não falarei de histórias e notícias
mas estará aqui sempre a poesia
do que perpassa
nas noites e nos dias.

Aqui haverá sempre um leitor fiel
para lá do que outros queiram ser,
eu e a vida,
como escrevo:
no precípicio da virtude possível
e da honra do razoável.

Não quero perpectuar
o pacto da forma com o conceito
mas prometer o belo
sem o compromisso do interesse.

Se for preciso matar a poesia
para que se tire o grito da garganta obstipada
que mate!
mas
que eu escreva sempre a palavra

" e seja então o vento lá fora
a fazer nos cabelos vivos de uma mulher
a estética do futuro
que afinal é só isso
que a poesia procura"

Publicado por constalves em 12:28 PM | Comentários (1)

dezembro 20, 2003

nota para o leitor assíduo


nota para o leitor assíduo


Não sejas só um consumidor.
Não te feches no consumo das palavras.
Há um vento que passa das palavras à película das íris dos teus olhos
que precisa de escrita. Escreve os teus versos
Com o odor do teu sangue
e assim escrever todo o sol que se consome
O teu paralaxe é preciso para a matemática da existência.
Faz uma multidão de palavras
do teu poema esquecido, encontrarás
a amizade da existência
e serás mais um que não morre.
Preciso da tua dor. Empresta-me o teu verso, juntos
vamos fazer as nuvens e as árvores do silêncio.
É preciso voz em tudo o que se sente,
a vida é tão escassa...



Publicado por constalves em 05:01 PM | Comentários (2)

Um café em S.Pedro de Moel


S.Pedro de Moel,Portugal

Um café em S.Pedro de Moel


um café sem gatos
e um vazio
entre as pessoas.
o mar está nas costas das mãos
e o altar na areia
faz a prece do sal.

Ao volante da bica
conduzo as palavras
para o céu...
,,,da boca
encontro voz
na pluma do dia.

O café em S.Pedro de Moel
é o espaço onde
a vida constrói o silêncio necessário
das palavras e das cores.

Não há epitáfios nas nuvens.
Também não há poemas.


Publicado por constalves em 04:42 PM | Comentários (1)

dezembro 19, 2003

há tudo para crer amanhã


"mar" Kandinsksy


há tudo para crer amanhã.

o poema começa nos pulsos
no drenar baptista do sangue
e a mão abre-se no ínicio da ideia(relâmpago avulso do corpo)
há uma casa e um leão como o sonho anterior aos passos na rua
e o cubo da existência abre a flor como o dia abre a cor
tudo são palavras, o poeta resume o tesouro.

deixei-te alguns dias no branco da página do teu corpo, diário.
nem sei se existes e sei que és menos que o morto
na explosão de Setúbal. há um fim sempre depois do poema.
Não me importa o cadáver, importa-me a dor que fica,
os sonhos da pessoa que deixou de ser passam agora para mim.
Não importa. Nem importa a minha má consciência. há ricos e pobres ponto final.

o mar também está nos pulsos os pulsos são um búzio. podemos orar.
Quero que a prece seja especial. Quero orar a Herberto Hélder. Sentir.

o meu diário, tu, és especial, não és um poema, tu és a poesia que passa por mim.Só


não tenho vivenda na praia, não podia ter.
rompem-se os lenços no cais palavra e outro poema regressa, contabiliza-se os grãos de areia
falta sempre um

não sei sempre se há maré , os ventos levam os ácaros e as preces.

o meu poema é vazio não podia deixar de ser, não tenho vivenda ao pé do mar
o morto da explosão de Setúbal também não tinha
restas tu, diário
sempre tu
as palavras e eu de cá

os poemas nascem nos pulsos como os búzios a dizerem o mar
há demasiado sangue nas praias
há demasiado diário nas palavras

há um poema de Herberto Hélder " A minha cabeça estremece"
há respeito. há silêncio


há tudo para crer amanhã.


Publicado por constalves em 01:58 AM | Comentários (0)

dezembro 15, 2003

Não sou Deus


Não sou Deus

Não sou Deus

tenho a certeza disso
apesar da culpa repartida de tudo o que acontece também caír aqui.
já disse algures, não há inocentes.Se calhar somos todos Deus, definhado e repartido.
deus morto. Alguém tem de inventar outro conceito outro nome.

A culpa e o Inverno, Dezembro e o Natal e Deus.
poderia-se fazer a capa de uma revista com estes títulos
poderia fazer-se um poema, daqueles bonitinhos de métrica e rima
e rima e métrica e Natal e Dezembro e de culpa e de Inverno
e de Deus. e não se dizia a azia que tudo isto tem.
e o dia e a noite, a noite e o dia.

Esticar a corda do piano. REBENTAR.

Não sou "Deus".
a palavra implica

Publicado por constalves em 12:23 AM | Comentários (0)

dezembro 13, 2003

a vulgaridade dos corpos



a vulgaridade dos corpos


podemos também ver assim:
pelo diâmetro da existência
trocando as pessoas por corpos.
Pode até ser a mais séria das atitudes
comprrender que muitos são só corpos
e o mundo um enorme matadouro.
Quantos permanecem no sonho e fabricam a ideia?


Adia-se a existência por troco da mortalidade,
cumpre-se o corpo.

è certo que só podemos erguer a matéria
e continuamos espalmados às paredes

de tudo o que se sabe ainda ninguém levantou a imortalidade
da existência
do sublime e determinante eu ainda não se fez a promessa dos sonhos

se calhar o futuro será sempre tarde
e as manhãs um jogo inocente

faremos herbários com o silêncio da irreverência

cuidaremos dos jardins dos poemas com lágrimas no canto dos olhos


seremos sempre um segredo inefável e estranho...

podia estar bem disposto e acreditar...
mas o relógio Górdio do meu corpo dita a morte
o diabo depois do poema escrito baba-se do escárnio que me atira todo o dia


há mulheres belas ainda
o milagre pode começar a qualquer momento!

Publicado por constalves em 06:11 PM | Comentários (0)

tudo o que vejo fala de mim.

tudo o que vejo fala de mim.

tudo o que vejo fala de mim.
E isto e só falar,
as ruas, os húmidos dos vidros, as centopeias das paredes da minha deportação.
eu não estou no lugar, nunca verdadeiramente me encontro cá
há um espaço não ocupado que não ocupo, portanto.

Mas tudo fala de mim.
a própria existência das coisas de fora são eu mesmo, mim.
Há um filósofo qualquer que em qualquer momento falava assim
e eu só tenho mais um litro de cerveja e um litro de futuro gastos já.


tudo fala de mim, no oblíquo das ruas e na achega das luzes bizarras
das ruelas, tudo é esventrado neste eufemismo do meu eu colidindo com as matérias que designamos coisas,
coisas sempre coisas, soltas, que formam a ruinosa realidade fora de nós.
o exterior somos nós, com absinto ou cerveja. E nós somos isso , lá de fora
sentidos e reunidos á volta do eixo do nosso eu, sim seremos sempre o nosso centro
seremos sempre a força centrífuga e centrípta do que conhecemos e vivemos.

Tenho sonhos como todos vós, apenas.

numa rua pequena há um yoggi, um fantasma e um diabo
e há palavras.
o gozo perco-o no dislate da comunicação, nos versos, na ode.

E tudo é uma ode quando sentimos a doce dependência
da existência.

o Fantasma não fala e não mete medo.
o diabo é negro e meu amigo. a morte visita-me
Soltam-se os gatos e os cães.
O sangue corre como um sultão arábico por entre o adultério.


As palavras prendem o medo, ficarei só, erecto nas árvores que não conheço, que nunca conhecerei.
A vida perece aqui, e sou só eu que falece. E o que mais importa?

A vida se calhar é só esta prece...descosida de palavras enleadas....

falta-me o álcool para o fim do poema.
o yoggi aparece, desce da tipóia funesta.

haverá flores num poema que lerei.
haverá perdão aqui ou ali.

Mas não perdoarei o que não sonha e não grita.


Existirei amanhã. É a promessa que farei no sexo.
Adeus, é uma última palavra.


Publicado por constalves em 02:32 AM | Comentários (0)

dezembro 10, 2003

É bestial sentirmo-nos assim


É bestial sentirmo-nos assim


comendo maçãs coçando a orelha
bocejando "pra fora cá dentro"
empoleirado em versos formiga
crescendo em alter-ego
recitando ar e ideias
lavando a pele poluída de escárnio
fervendo em ócio

esquecendo

olha Constantino, onde estão agora os teus poemas da guerra e da fome
e da pobreza epidémica
onde está o horror do sangue que coalhava na garganta
o grito da revolta?

-tudo tem o seu lugar é preciso aproveitar o dia
deixar o cinzento à porta procurar o gozo na ideia
o mundo é redondo e a sopa come-se toda
e depois afinal só se preocupam com os outros quem não serve para mais nada.

Pois, o poema, é mais importante essa urgência
habituamo-nos à desordem, à ineficácia, á incogruência

a utopia degenera no seu próprio significado
a luta está democráticamente condenada

e os outros gritam?
que interessa os outros....
promete-te a felicidade, a meta...
reflecte e ousa!

a divergência, o eufemismo da opinião


a opinião, o leito da concórdia...

prefiro raspar a pele depois do banho
depois do banho e da barba

Publicado por constalves em 06:39 PM | Comentários (0)

dezembro 09, 2003

tudo tem de ser especial e sublime


Monet

tudo tem de ser especial e sublime

Acontece quando os dias são secos
e o opaco do tempo não deixa leitura

as palavras rescindem em mim o abono da matéria
eruptizam-se em espirais doces e voláteis
emergem dos livros de poemas e dos dicionários
como serpentes emplumadas convidando domador
sabem a feno de monet e dos trigos de Van gogh
e são toda a minha família de afectos
que circundam o vácuo da minha atenção

podia-se fazer água das palavras dos textos moribundos
e saciava-se a sede aos poetas

podia-se pintar céus cinzentos da capa azul das palavras

podia-se vender fonemas do canto das ideias

tudo se promete no encanto da criação da obra

tudo tem de ser especial e sublime

quando o ácido do estômago cresce
da raiva da chuva agreste

é preciso não escrever fim

Publicado por constalves em 06:49 PM | Comentários (1)

dezembro 08, 2003

S.Pedro de Muel 8/12/03


S.Pedro de Muel 8/12/03


a BICA EM s.pEDRO DE mUEL SABE AO MESMO.
o SAL NÃO SABE, SENTE-SE.o MAR É O MEU OLHAR PERDIDO
TRAGO NOS BOLSOS MEIA DÚZIA DE MEMÓRIAS, RESTOS QUE ME ACOMPANHAM PARA TODO O LADO.
aS NUVENS FORMAM O CÉU, O CÉU NÃO ESTÁ PRESENTE.
pARA MIM TUDO É RECTA, FUTURO INDEFINIDO, DEPOIS DA MINHA MORTE.
jÁ NÃO QUERO A MONTANHA, CHEGAM-ME AS CONCHAS, AS AREIAS, AS ESPLANADAS.
aS GAIVOTAS ENCIMAM A PAISAGEM COMIGO DENTRO,
ESCREVENDO CONCÊNTRICO, COMO O MUNDO,
CURCUNFERÊNCIA DENTRO DE OUTRA CIRCUNFERÊNCIA.
pASSAM-ME PALAVRAS PELOS OLHOS, A sILVIA CHUEIRE, A SÓNIA, O GIL, O FÉLIX, O JORGE,
VERSOS DO VÁCUO DO SILÊNCIO.
tUDO É ESCASSO NA TERMINOLOGIA DO METEOROLOGISTA, MAS TUDO ME CHEGA,
THAT´S ENOUGH PARA O MEU DESEJO.
cOMPREENDO AGORA POUCO MAIS QUE ISTO:
UMA BICA E s.pEDRO DE mUEL DE MANHÃ, UM FERIADO, SEM GENTE.
pODIA SER SEMPRE ASSIM, NÃO ME CANSAVA COM OS OUTROS.
a MULHER DO BAR FALA PELOS COTOVELOS E O FUMO DESCANSA.
nÃO HÁ NADA PARA DESCANSAR, NÃO HÁ NADA PARA VER, NÃO HÁ NADA PARA VIVER, APANHA-SE A CANETA DO CHÃO E ESCREVE-SE E CHEGA.
a oRIENTE JÁ SE ENTARDECE E AQUI TUDO SE COMEÇA.
E BASTA!

Publicado por constalves em 11:27 AM | Comentários (0)

dezembro 07, 2003

Há um sonho

Há um sonho

Há um sonho em que a planície se estende
no sublime da cor tépida até aos crepúculos da inteligência
não existem muros, nem fronteiras e os horizontes são apagados
no último esforço poético que alguém doou à humanidade
É um sonho que vive nas fenda das livrarias
e no soslaio das palavras líricas
nos monumentos que erguemos quando emergimos das noites fúnebres.


Os sonhos não são para crer
apenas precisamos de os realizar.

Publicado por constalves em 03:27 PM | Comentários (2)

dezembro 03, 2003

natal outra vez


natal outra vez


por uma vez no ano
e ano após ano
o natal outra vez

os enfeites, os sorrisos, as ofertas
cremam-se os calculismos e as violências

sagra-se um corpo de menino
adocica-se as mãos no esmero
asseia-se o relicário da bondade

o tudo monstro espera
e nos bolsos ficará a magia renascida

por uma vez no ano
e ano após ano
o natal outra vez

Publicado por constalves em 06:44 PM | Comentários (0)

dezembro 02, 2003

revolver a gaveta

revolver a gaveta

é tudo papel pardo:
as fotos luminosas, os selos catitas
as moedas raras, os cromos preteridos
é como este Outono e este dia
que não passa
que não tem futuro

só arde no prato a maçã que vou comer
um futuro breve prevê-se
e é tudo o que se leva da memória


Publicado por constalves em 08:09 PM | Comentários (0)

dezembro 01, 2003

Portugal não vive aqui


JimWarren

Portugal não vive aqui


Pronto, nada há a dizer
o poema acabou.
Agora erguem-se as praias brancas
os mares imperfeitos
as memórias vivas
as nuvens cinzentas...

Portugal não vive aqui
e de que era feito?

Sonhei hoje cavalos brancos e pretos
numa extensa praia de areia fina
um mar bravo e uma fronteira

1 de dezembro
é uma camisola de lã
o Natal um efeito sem luz

mas isso que importa...
chove!
água e o sonho

ouvem?
Não compram?
água e sonho

Publicado por constalves em 10:37 AM | Comentários (0)