janeiro 31, 2004

Mais nada para dizer



Jamey and Leslie

Mais nada para dizer

Mais nada para dizer
ou
só que o dia abriu
habitual
matemáticamente oportuno
circunstancial
cómodamente sucessivo

distante

da minha alegria de estar vivo.

Publicado por constalves em 12:46 PM | Comentários (0)

janeiro 30, 2004

agora tenho todo o tempo

agora tenho todo o tempo


agora tenho todo o tempo
para a voz
para o poente mágico
para este girar de mãos de palmas contra palmas
ver os jovens no ínicio do caminho
sonhar neste lago de tempo que se presta macio no roçar do vento

Eh lá barqueiro , como se chama esta barca doce como o açucar do limbo?
-Corpo feito tempo!

de palavra "Idade"

já se dançam os ritos com as fogueiras suspensas
As Babilónias deslizam nos rios

como se chamam, como se chamam?
não é plural é um singular: Razão!

E este sangue vermelho que se vê de branco suave?
este sonho tão largo como o mar?

-É o amor!


Este junco de palavras nos antebraços pousados na cadeira?
estes verbos de alabastro procurando o vento?
esta linha arábica de tons breves que se abre no mapa?
um sorriso sustenido na pauta das janelas em arcos góticos?
e tudo na imagem que vejo para além do horizonte?


-É o segredo, para outros é a vida

e será, barqueiro, que posso entrar na barca?

-Nunca saíste dela, só que agora compreendes o vento, vês a memória!

Irmão barqueiro para onde vais?

-Agora já não há meta, és o tempo!

Sou o tempo! sou o tempo...

Publicado por constalves em 04:11 AM | Comentários (1)

o estertor das pétalas brancas caíndo na relva verde


o estertor das pétalas brancas caíndo na relva verde

Como o silêncio da câmara lenta
Como um violino fingindo um sentimento dolente
como leite derramado sem tempo no vácuo da chávena
como a minha mão na curva da tua anca
como um anjo sorvendo uma oração

e um caleidoscópio de sons inaudíveis para o ouvido
um arco-íris de sonatas de sol

as pétalas brancas caíndo na relva verde
só se sente
não se ouve.

Publicado por constalves em 02:38 AM | Comentários (1)

janeiro 29, 2004

coisas e loisas


coisas e loisas


esquadros e malaguetas
circunferências e bananas
curiosos e espertezas
lâminas e pernetas
todos são "coisas"
juntos não são nada

no meu verbo e no meu ser
são inteligentes: são palavras

Publicado por constalves em 10:42 PM | Comentários (2)

Promessa


Calendário Mexicano
"This highly accurate calendar was developed by the people of Mexico prior to 1492. The tonalpohualli, or sacred calendar, ruled the life of each Mexica and was consulted on all important occasions. It was made up of 260 days, or 20 months of 13 days."


Promessa


e como isto é um diário
prometo!
hoje

o dia passado

Publicado por constalves em 03:11 AM | Comentários (0)

janeiro 25, 2004

das palavras

das palavras

Se eu pudesse não escrever
a palavra com a palavra

diria vento
e
tempo

e toda esta praça se abriria
na revelação

e toda a poesia pairaria
no indízivel dos olhares

e o falar fosse
a
sombra
sem
a
sombra

um reflexo da vontade

um espaço maior que a cidade
fermentaria
nos corações planos das almas

se, pudesse eu, talvez, hipotéticamente


certamente valeria a investigação...
o caminho seria todo o ouro da existência

e só assim o ouro seria...


Publicado por constalves em 10:52 PM | Comentários (4)

janeiro 24, 2004

Inventário


Matisse

Inventário

sabia a tua língua
e conhecia

Sabia o teu corpo,
exprimia


o teu sorriso foi a tua dádiva

O teu carinho nasce sempre
todos os dias
também no meu corpo

Publicado por constalves em 04:37 PM | Comentários (0)

janeiro 23, 2004

um reflexo


Munch


um reflexo


e dizer um dia que não passou por mim...
como explicar a ausência de ser
na réplica das horas...

e o teatro sem a mentira onde ficou...
e a importância da persistência que
faz de mim Diário
como a luta contra o Golias da inexistência

tudo ideias e penas com palavras misturadas sem tempo
e não há a possiblidade de sombra ou de reflexo claro


hoje não decifrei o labirinto dos espelhos
nem dos sorrisos surreais das gentes


nem fui nem sei
e o tempo?

com carinho solicito-te o começo!


Publicado por constalves em 01:06 AM | Comentários (0)

janeiro 22, 2004

Com âmbar


Com âmbar

I

o seu sorriso de âmbar
mas um âmbar de açúcar
quer começar um laço
que percorre
o fio
de um sentimendo de gelo que arde

só de saber o seu sorriso.

II


e tudo se provoca doce
com as suas pétalas como seu corpo
aquecem tecidos seus em mim
no sopro
do hálito puro
do âmbar

III

os seus seios
com
âmbar


Publicado por constalves em 09:21 PM | Comentários (0)

janeiro 21, 2004

Há uma velocidade


Joan Miró


Há uma velocidade


Há uma velocidade
na roda das estações
métrica precisa como benevolente
que nos respira o tempo
nas odes das nossas palavras
faladas ou carinhosamente adormecidas na memória

e também há verve sublimada nas cores
que se desbotam noutras
sempre revelando os novos embriões da vida

todas as engrenagens desta peripécia constante
é ouvida nas preces e no decanto dos afectos aos outros
e a perversidade está na mudez
que alguns não reflectem indomáveis ascetas do Segredo
(nem por isso deixam de ser àrvores ao sabor do tempo)

há uma velocidade...
e toda a corda dada ao universal relógio
tem uma finalidade indestinta
até agora só percebida no corpo ou melhor no grito.

o fogo sereno da lareira, a maré solar da tarde
são valsas lentas para que se leia um destino tão certo como dolente

e estou certo que esta velocidade das engenagens rodando pragmáticas as estações
é uma mão divina que nos exige o nosso destino

mas então para quê a alma?
e se tudo não tivesse pergunta
e o poço fosse sem fundo
e não houvesse poço nem fundo
constantemente
numa velocidade constante
plana
em direcção
ao futuro
e nunca se chegasse
e a dúvida ardesse no Inverno à lareira lenta
que empurra a engrenagem cósmica
na força sabe-se lá qual delas


e o Inverno tivesse sentido...
então eu perceberia...

Publicado por constalves em 01:09 AM | Comentários (0)

janeiro 20, 2004

na ruína, um clarão



Linda White


na ruína, um clarão

o sismógrafo marcou a hetacombe
do meu sangue
um espasmo de um sentimento fino
único porque puro e diferente
daquela sempre memória da minha infância

mesmo agora surge a puberdade
um sentimento fino como um músculo

dizendo verdade

Publicado por constalves em 04:16 PM | Comentários (1)

desfiando um sentimento e sempre procurando a verdade


desfiando um sentimento e sempre procurando a verdade

Não há espelho neste mundo
para o sentimento que percorre o meu corpo
feito de quase nada
de prazeres e e dores e de uma razão louca da verdade
e de existência

não há espelho
nem muro que segure a sombra
do corpo da alma que criei
com as minhas próprias mãos
cheias de sangue e de
palavras
de tempo e de vazio
de desespero e de esperança

não sei se o plano era este
erguremo-nos sós
sendo pai e mãe ao mesmo tempo
dentro de nós

o meu corpo e o meu sangue nunca aprenderão os muros
edificados entre nós e os outros

há qualquer coisa de sórdido nos homens
que não os deixa ser completos
qualquer que não se encontra nas árvores ou nas flores
mas elas também não têm acto
e o acto e o movimento é punido com a crueldade.

Sim é qualquer deficiência do Segredo ou de Deus para quem
quer ver rostos....(e julgar o paradigma como reflexo e explicar que tudo é como se vê e se sente)

Não há espelho para o sentimento que me percorre
de unicidade e verdade
nem sempre pelos outros
mas comigo sentindo os outros

que mais poderá explicar o sangue?

Publicado por constalves em 03:39 AM | Comentários (0)

janeiro 18, 2004

Apesar do dia ser claro


Apesar do dia ser claro

Apesar do dia ser claro
e esta luz ser nítidamente domingo
apesar do silêncio convidar o espaço e ao movimento solto

não há momento.nem brecha
um circulo opaco de infâmia abre as feridas diárias

e apesar dos cutelos exuberantes dos ministros pousarem nos cepos
há a memória de toda a História
na gaguez
dos diálogos monosilábicos
dos cumprimentos entre vizinhos
e no rudimento dos olhares uns para os outros.

Não é esta vida que o sangue deseja.

e é de sangue de que se trata.


Publicado por constalves em 02:16 PM | Comentários (0)

janeiro 17, 2004

poema aquecido por um cigarro

poema aquecido por um cigarro

toda a manhã
num copo de água
e um violento sorriso
explícito
na luz íngreme
dos seios da
empregada de bar


um cigarro aquece o poema
como o limite do tempo

Trago para a escrita
o espaço por detrás dos olhos
de todo os clientes
que bebem todo
o sol
que tece a teia branca que
nos une no momento #1501
da sequência métrica de um destino aberto

se somos robots não sabemos

depois cada um, em casa
desfiará o novelo
das pálpebras cheias
que leram o dia

eu fumarei
outro cigarro
compondo palavras
como no cubo Rubik
formando geometrias poéticas
que farão da memória outra luz
como esta manhã
beberei água
pedirei um café
beberei água
pedirei um café
beberei água.


Ou não será o sol aquecido por um cigarro?


Publicado por constalves em 11:05 AM | Comentários (0)

janeiro 16, 2004

o teatro começa



o teatro começa


o teatro começa nos espaços
entre as pessoas
formiga no decanto dos diálogos mudos
que entabulamos comnosco
no desiquílibrio dos verbos com as matérias dos corpos


no dislate da lógica do movimento concertado irrepreensívelmente comandado

começa na diferença entre eu e tu
e no precípicio
da carência

e no desejo do prazer incontrulado do toque da minha palavra com a tua

no ouvido sereno da lua
da tua promessa de existência

no frágil oco do olhar que não consegues reter no outro

e porque o palco
desce
brilhante
do
tempo


tu só ousas
tecer
o mundo!


Publicado por constalves em 02:42 PM | Comentários (0)

percorrer a mão


Boudicca


percorrer a mão


percorrer a mão
e sentir a lua

há uma estranha estrada nas linhas digitais
um circuito concêntrico
um percurso
sem regresso


um momento como este olhar claro sobre o destino

que se revela sempre neste espelho de luz
que se forma no escuro
redondo
como os astros

fecho a mão


ratatarataytrataraya
é todo o ruído captado

fora da mão fora da lua fora da noite

Publicado por constalves em 02:03 AM | Comentários (0)

janeiro 14, 2004

há que ter em conta



há que ter em conta

há que ter em conta
que tudo pode ser em vão:

a colher no açucareiro
a banana na bananeira
o coelho na toca

há que ter em conta
que tudo pode ser em vão

Publicado por constalves em 03:05 AM | Comentários (0)

33a


33a


cabelo redondo e um cão
todo o meu olhar preso no seu olhar
ai a identidade o sexo e amanhã

como
uma
música
de
Maria Rita
no patamar das escadas


os distúrbios das letras intelectuais circundantes na região demarcada do verbo.


redondo é redondo o seu cabelo

preso
olhar no
meu seu
o olhar
todo todo


e todo o
E
D
I
F
Í
C
I
O


RUÍU!

Publicado por constalves em 12:21 AM | Comentários (0)

janeiro 13, 2004

P A L A V R A

P A L A V R A

Vertical e janela
e
d
í
f
i
c
i
o
aplausos para a
P A L A V R A
omnívara
omnipresente

U
S S P E N S A


e um dia claro cá em baixo porque há promessa...


Publicado por constalves em 05:15 PM | Comentários (0)

embora



embora


e a cama já espera
vai,vai não demora
fecha o livro
deixa a palavra agora
água,limbo e a lua
outro poema namora
o sonho
do outro lado do espelho


faz-se à pressa o sono
para ir para lá
embora.

Publicado por constalves em 01:40 AM | Comentários (0)

janeiro 12, 2004

a verdadeira realidade


a verdadeira realidade

Se eu pudesse depois de subir a montanha
pegar o vento, saber a temperatura da noite
e estivesse noutro tempo
à lareira, no cepo sentado
encantado de ouvir as tempestades em histórias
com afagos de medos dos velhos e dos cães sossegados
horizontal nas vozes ternas das mães cuidadosas
voar lentamente na brisa que desce a encosta
espreitar o mármore deitado das gentes
arquitectado na noite para as preces...

a realidade é à noite e tem vento
segregado pelas mãos e pelos olhares cansados
misturados com luzes amareladas
e com brasas das dores
e voz de um Deus inventado sempre e grave

e as samarras e os xailes secos e ruços dormindo
nos corpos explêndidos que só brilham na lua distante

(há demasiados computadores e números no vácuo das cidades (falta-me outro termo, também ninguém se interessa para o criar)
e todo o limite que utilizo não é a realidade
nem a verdade corrente devia servir de diapasão)

e a brisa corre os lugares e faz promessas

e eu no monte
e tu leitor noutro monte distante...

Publicado por constalves em 09:18 PM | Comentários (0)

janeiro 11, 2004

de onde vivo não vejo as estrelas

de onde vivo não vejo as estrelas


de onde vivo não vejo as estrelas
não há zumbidos de abelhas
nem grilos contentes? à noite
nem os cães exageram nos latidos afastando a solidão
nem sequer eléctricos arrastando o tempo das cidades
nem pregões de outros tempos lembrando a proximidade das fontes das coisas que nascem ou se erguem
que nadam ou que pastam
nem há cortinas de nylon amarelas nas janelas pintadas de verde
também não há silêncio
nem vizinhos (quem é aquele que nunca cumprimenta?)

já não preciso nada disso...
habituei-me ao vácuo metereológico de um ambiente assim
aqui nada muda
a não ser de tempos a tempos o vácuo ficar prenhe e depois gerar mais vácuo a que me habituo rápidamente

se olhar pela janela (o que nunca se deve fazer...)
vejo os outros igualmente habituados a esta toada vazia
sem pressas
alongando o vazio nas suas preces que tecem nos acenos aos outros que nunca fazem


e que interessa os outros?
que interessa eu?
que interessa as estrelas que não vejo do lugar onde vivo


não há casas,
não há jardins
não há grilos
nem zoos

só uma recta distante
um poema belo que brota horrível da minha boca

e só resta este lugar danado:

a solidão!

Publicado por constalves em 10:38 PM | Comentários (0)

os poemas escrevem-se à noite ou de manhã


os poemas escrevem-se à noite ou de manhã

os poemas escrevem-se à noite ou de manhã
à tarde atiramos gritos uns aos outros
e as palavras são secas
como pizzas de supermercado

não percebo os poetas que escrevem à tarde que falam de luz
só me iludo de manhã nos raios sibilos do ínicio

o poema à tarde é razão, uma compressa que evito
pois não deixa sangrar a alma que obriga descobrir a revolta
que nos obriga urgente contra a tirania da complacência e cumplicidade

à noite ,com o corpo escuro sem luz
os restos falam por si
e cose-se a ternura na carência
convida-se o amor e a memória
ao silêncio quente da reflexão e do pensamento

Sou eu que tenho a culpa de não escrever poemas à tarde
para mim ao meio-dia é pão

e o pão para mim é biblia
e eu não quero comer palavras

nem pizzas de supermercado

perdoem-me génios iluminados
prefiro ser...
custa mais
e dói mais noutros....


Publicado por constalves em 04:07 PM | Comentários (1)

janeiro 10, 2004

a realidade



a realidade

hoje o sonho permanece
nas costas dos olhos
na penumbra do verbo
no silêncio das mãos


experimento a minha sorte
com os bons dias com as vizinhas
os sorrisos para o pão
as vozes na bica.

todo o sonho tem uma consequência directa:
precisamos sempre de testar, depois,
a realidade.

Publicado por constalves em 12:21 PM | Comentários (1)

janeiro 09, 2004

gaita!


gaita!


desculpem-me os poetas mortos
mas este grito que lanço
na melopeia das palavras
vivo grito vivo
de plenos pulmões vivo
vale pra mim mais que tudo
o que o poeta morto dita.

o ar que circula na garganta o coração ribombando nas artérias escarlates prenhes de oxigénio
gaita!
é mais que qualquer palavra boa ou maldita

desculpem-me poetas mortos
mas
Gaita!

Publicado por constalves em 02:23 AM | Comentários (0)

Só um rosto


Asparagopsis armata


A alga vermelha


Só um rosto

Só um rosto!
perpendicular
ao espelho!


uma alga vermelha escorre na face...
uma ferida no sonho

um mar para descobrir
entre as vozes nas marés vivas

uma mar de açucar noutra face
tua face
sem identidade
és a outra que morre bela na fome sem misericórdia no terceiro mundo.
uma face que morre bela
por só conhecer a modéstia


esta alga, vermelha, na face perpendicular ao espelho não é ferida,
é já a morte


e eu felizardo só tenho que viver
feio


que sorte que tenho!

Publicado por constalves em 02:05 AM | Comentários (0)

janeiro 07, 2004

uma morte anunciada


uma morte anunciada


o mar que se encontra aqui
é toda a dor que me inquieta
perdem-se as algas vermelhas que seguram a memória
toda a extensão do oceano
larga-se num futuro inebriante mas difuso

estou a morrer
pelo canto da minha voz no poema volátil da existência
pela a idade, pelo mestre sem rosto

tudo é gelo na serenidade deste silêncio
agora sei que o mar também arde na morte

na praia, só o meu corpo e a água
e só o meu olhar caminha dolente na infância

a memória crava-se na areia
o que vi ficará no retrato do poema
como dentro de uma garrafa perdida no mar projectando-me noutro silêncio

Publicado por constalves em 09:43 PM | Comentários (0)

janeiro 04, 2004

4/1/4


Derek Mccrea

4/1/4

primeiro é a flor que
se abre nas mãos desertas,
a manhã vem também
nas descobertas dos olhares claros.
Há corpos nus de Almodôvar
nas copas dos pinheiros que tentam a claridade
e noites preteridas nas esquinas confusas
das ruas e avenidas dentro da cidade

há um tempo sem espaço
um espaço sem tempo

um automóvel que circula devagar
mulheres maduras comem lânguidamente o pequeno almoço.

todo o poema é a minha vida
a vida que se escolhe
a vida que se consegue.
Por isso lavo as mãos
numa água límpida de palavras
alabastro
transparência
formidável
azúli
incandescente
espectacular
semblante
caleidoscópio

e todo o tempo
que ainda é nosso

um espaço entre um acto
e outro acto

lavo os dentes, visto o casaco
um sorriso para ela
e
um silêncio


S.Pedro não é mais que uma praia
mas é uma praia que outros não vêm...


é um tesouro
é um espaço
é um tempo


faço amor nas bocas, as bocas falam.
Acordo.


o poema é um lento espreguiçar do verbo
as bicas tornam-se sonolentas no precípicio das árvores
e eu
queria
Portugal no zénite
queria que o desejo se prometesse
que fosse Ruy Belo e Sofia Anderson
e as
estátuas dos poetas fosssem obrigatórias
nos patamares dos cafés
e
houvesse um Brasil verdadeiro
nas notícias e nas palavras

O Poema é a nossa vida, o nosso desejo
e
o que se consegue da vida
é o espaço que é poema que é meu e dos outros.

"Os homens são todos iguais",
diz a mulher do bar onde escrevo este verso.
Somos todos iguais
não há diferença
E as mulheres, que bom, são todas iguais, diferentes de nós.

o prazer agora ocupa as mãos
abertas do príncipio do poema.
Não há flores. Estas prometeram, eu cumpri.


Estou aberto.
para sempre.

Publicado por constalves em 12:51 PM | Comentários (0)