
na livraria
todo o Jazz,
agora,
faz palavras
sem as árvores e as ervas espoliadas
a linha recta na livraria faz um sulco na terra
planto árvores na net, triângulos escalenos
com húmus da verdade
ridículo deixar-mos as palavras juntarem o coração.
continuo a ouvir Jazz....
rectas na livraria...
sulcos na net...

a verdade
a verdade é um esqueleto, uma pedra fria
um sulco no espelho da água do lago
e todas as lâminas do cipreste negro
e
a verdade é una aurora replandescente,
são chamas que ardem a noite
raios que iluminam o gelo
a
verdade é um osso e um soluço
um espirrro e uma ideia
é aço
é barro líquido
é abraço
é vidro
e é beijo
não é
silêncio
nem verdete nas navalhas
é a minha voz para a tua nas palavras
e mais que isto é o poema!

entreacto
E também se deita o vazio:
com chamas de verdete
com ácido dos poetas
com lágrimas de negros
com soluços de pobres
e tudo se enche no peito:
de silêncio das estepes e de firmamento,
como numa viagem de esferas ,rolando
cheias de certeza.

papagaio
papagaio de carnaval
voa na tarde encontra o mel
diz-me os silêncios conexos
da tempestade
diz-me aquele brilho da doce tarde
brinca comigo
traz-me as nuvens , ágoras do sol
e aquela máscara sempre estática
não é o teatro
é uma imitação do sol!

Sonho de uma noite de Verão
Sonho de uma noite de Verão
No Rossio mete na Betesga
Na peripécia da lua, chove
Chove muito esta noite
De S. João e Carnaval
Os espectadores são fantasmas!
É Carnaval. Ninguém leva a mal
A noite de S. João e se
O país do amor é uma ilusão
O paraíso existe
Há um, eu hei
Há uma rua clara
Só hoje se quebra a quatro parede
É a hortelã sensual do Tejo
Vamos fazer o oceano claro
E voar
José Gil
PS: Teatro Nacional D. Maria II
Sábado 21 de Fevereiro 2004
II
Teatro nacional em tarde de Carnaval
Quantos dias e quantas horas levaram
Estas crianças e estes jovens
A preparar o guarda-roupa e a maquilhagem
É único este dia em que no palco estão mascarados e
na Plateia as crianças e alguns adultos também mascarados
Afinal onde estão os actores? E os espectadores?
O Carnaval é o dia mundial da pessoa do espectador
Na rua o Rei D. Pedro V atravessa a minha ilusão
De voar até ao Brasil com o grito do Ipiranga
Nos camarins os actores preparam o
Melhor espectáculo da sua vida. E tu? E eu?
Aproveito para tirar a máscara cinzenta das grandes cidades
Que morder contigo nos campos abandonados
Porque vive tanta gente nesta cidade
Porque vive tanta gente
E porque morrem as aldeias, as vilas
Como esqueletos de Belver a Ferreira
De Castro Verde ao Pego, Cortes
A Maririnha.Crescem os prédios e os carros
E o governo come bananas de gasolina
Tudo isto mexe com a minha alma de pastor
Para que é que há-de haver Governo?
Justifica-se em 2004 na Europa um governo?
Para quê?Será que sem governo as manhãs não
Nasciam, as árvores não davam fruto
Desculpem os poetas não se devem interrogar
Sobre a politica mas só uma pergunta
Se não há cultura como há Ministro há tantos anos ?
Se não há agricultura e querem destruir a pesca e a floresta
porque há Ministério. secretarias de estado, directores regionais?
Se não tropas se não há inimigos se não
nos temos que defender de nada de nenhum outro país
Porque há ministério? Eu sei que os poetas para serem anjos
Não são políticos.
E há poesia e somos um pais de poetas ? Porquê?
Porque não há Ministério da Poesia
É evidente que se houvesse um Ministro poeta
Progressivamente podíamos reduzir
O estado a três governantes
O das finanças para nos roubar o dinheiro
O da polícia para prender os ladrões dos governos
Anteriores
E o da Igreja para os absolver, amnistiar
Eu sei que estou a ir longe de mais
É que em três ministros era difícil
A paridade homem/mulher/preto/branco
Todos os tons partidários dos Tachal
Ninguém leva a mal é Carnaval
É como essa coisa da Suiça querer um Ministro
Do Mar e não ter mar
Nós não temos educação e temos dois ministros
Talvez fosse altura de três anjos tomarem
Conta deste Portugal Pequenino
É Carnaval
Ninguém leva a mal
Tive este sonho desculpem mas mais de
Três ministros nuns pais do tamanho do rio
Não é desperdício da função pública
Não é acumulação de canela e arroz doce
Com água apodrecida em poemas bomba
Não digo mais nada.
Ainda pediria a demissão dos governantes
Que se consideram a mais
Para comer uma lata de atum
E escrever um poema
Para que é que eu preciso do governo
Do Ministro da Saude
Para ficar em fila de espera
Para contabilizar os números dos que
Esperam um medico,uma cirurgia
Para isso bastava o Instituto Nacional
De estatística ou será que governar é ser
Porta voz do INE, do IPE, do INATEL
No hospital a mim basta
Um bom medico das
Urgências
Desculpem a minha cabecinha pensadora
Esqueçam, os poetas são de excessos
Comem trinta carcaças com pão e
Fumam cigarros atrás de cigarros
E amam mulheres como quem ama
As árvores, o luar e sonham
Sempre com a noite erótica e quente
Do S.João tanto Shakespeare como Strindberg
Numa noite de verão ou de Inverno
É Carnaval ninguém leva a mal
Não há governo e a lua é uma peripécia
Não há
Há governo e um buraco de ozono
Sim senhor ministro do céu superior
Sim senhor ministro do Portugal de Plástico
Em baclite verde florescente
Olho-te em cima do meu psiché ao
Lado da torre Eifel da loja dos trezentos
Ao lado de santos de plástico mande ir china
Criticas-me porque digo que há poesia
E não há ministério
Há noite e a lua não é ministra
Mas sozinha governa
Sem BM, sem Telemóvel, sem 500 criados
Queria dizer basta de hipócritas
Basta de não haver educação
E haver
O ministério do ensino inferior
E o mistério da investigação científica
O sr ministro do ensino superior
E porque é que falam do inofensivo
Insucesso do ensino da matemática
E não fecham as escolas de condução
Parto da ideia que face ao nº de mortos
E feridos em regulares acidentes de carro
Por todo o país as escolas de maior insucesso
São as de condução
Porque não faz um ranking dos mortos
E dos mutilados por Escola do Espectador A escola do ACP já
Formou tantos assassinos de estrada e a Moderna
E A antiga e a Infante D. Henrique e a da Régua
E a sagres e a nova Leiria e a de faro
Ou será que não se avaliam e auditariam
Essas escolas de formação de assassinos e suicidas
Dantes eram as prisões as escolas do crime
Hoje são estas escolas privadas de condução
E ainda dizem que o privado é que é bom
Será que um pai com 30 anos de carta não
Pode creditar um filho para conduzir
E que o código, a mecânica e a ética
Não poderiam estar incluídas no ensino
Obrigatório.Não será o carro depois
Do telefone a maquina com mais utilizadores
Desculpem eu queria falar de pombas e
Liberdade
Os poetas deviam é estar calados e escrever
Um pombo numa gaivota
A parede branca
Só fantasma e as linhas de Doze
Mas não sou O Senhor dos Azeites
O novo Messias
Não recebo energias, não quero Jesus
Nem Mao, nem Lenine
Nem Bush
Quero –te a ti flor, cravo
Sou cão ou aranha, sou mula
E dou coices
Beijo e amo em excesso
Meu irmão
Tem coração ou vendaval
É Carnaval
Não leves a mal
Os governantes "Cheiram mal da boca"
Constantino Alves
José Gil
Carnaval 2004-02-21 Pedralvas
Taxi-Rossio,Bairro alto, Damaia, Benfica
escrito em branco
com a cal da sombra
e toda a maresia que abre as núpcias do dia
já não mora o pós modernista
que se torna agora no homem
do súplício da cor
e todas as palavras querem dizer aurora
irmão, gente, pressa
o desconexo nasce sublime e dor
amor
todo o pranto
é a bebida incessante do Hades
colhe a nuvem
e dá-me um beijo
beber-te-ei as pétalas do amor
chamas
E aqulele barco de chamas que aquece os pulsos
que falta sempre na hora breve do desespero?

um diário é um relato
Eu também vou devagar até à minha solidão,
todos temos de edificar a nossa torre de marfim,
"Escuta Zé ninguém" nunca será lido
por "todos"
e os cafés ficarão todos iguais à "Ler devagar"...
nas minhas palavras
na minha prece.
Lá fora as palavras são digitos de computadores,
lá fora bebo águas de ácido e filigranas
e o mundo tem de mudar...
com a força da cobardia das sombras.
leitor! olha o mundo como está
faz a prece...dá-me um beijo!

www.3poetasemleiria.pt €10
José Gil, Don Lackewood, Constantino Alves 2º Guia da Escola do Espectador Editora ISBN: 972-989-0-3 Deposito Legal Nº:188340/02
Os visitantes de Portugal e outros países da União Europeia fazem o pedido directamete a ESCRITAS
"primeira Antologia de poesia da lista de discussão Escritas. São vinte autores que primam pela diferença: Angela Nassim, Antonio de medeiros, Carlos A. Silva, Constantino Alves, Douglas Mondo, Eliana Mora, Eliane de Rezende, Gonçalo Sousa, Isaac António, Jorge Vicente, José A. F. Gonçalves, José Dias Egipto, José Félix, José Gil, Márcia Maia, Maria Gomes, Osvaldo Pastorelli, Sílvia Chueire, Sonia Regina, Xavier Zarco."
Antologia Escritas, Encontro Escritas, Janeiro 2004
ESCRITAS

poetas peruanos
para os poetas renitentes no uso da ideia
solta-te da palavra:
um mergulho seco
na água!

eu e os outros...
eu e os outros...
somos cinzentos!
temos as mesmas rugas os mesmos sapatos
mesmo peúgas.
sorrimos no relógio
Somos guardanapos sapatos patos
temos piedade não somos infinitos
guardamos rosas mostramos patilhas
e dentes brancos
dizemos olás fumamos cigarros
compramos a crédito lemos e escrevemos
temos carros e empregos
vomitamos ideias e criamos actos
existimos telefonamos
criamos
adiamos encontros
estoiramos tontos.
e não gostamos...
de outros outros
e de nós mesmos
não gostamos de nós mesmos!
O INCORRUPTO NA BARRACA
de José Gil e Constantino Alves
Não há catatuas esta noite
ninguém está no palco
e não se bebe vodka com laranja
é noite e há medo
e há um país onde isso importa!
do medo será ainda um século
da luz, da inquisição e da suplica
Sabeis novas do meu país
Ninguem corta outra vez
ninguem corta "a raiz ao pensamento"
e se os vampiros se infiltam pelas portas
claras do raciocinio francês
OI Catherine Deneuve Portuguesa
Quem te esconde, falta-nos o vodka
com raticida forte,Oh Rabanete?
Joga à defesa que o meu povo não
é catatua nem mesmo no carnaval
está vestido de anjo, voa actriz ou
actor para fora do palco - se tiras o
espelho, és igual somos aqui no caixão
todos iguais Oh! Mente brilhante
contaminada pelo antigo mestre da tortura
és o maior espelho.Oi caleidoscópio
do neo-fascismo . Não penses que voltamos
á noite. As portas democráticas rodam
são como no Diário de Noticias
rotativas . Escreve direita não direito
o incorrupto é moderno, o incorrupto
é este direito á indignação
SANTOS, TUNEL,15 de Fevereiro 2004-1h

A novidade hoje
A novidade hoje
é uma rosa vermelha
que não existe
no meu quintal inexistente
ninguém tem culpa dessa ausência
mas hoje, todos vestem de luto!

Piovan Maurizio
Euforia
todas as cores
todo o vento
todos os círculos da água afastando-se da gota que cai
como a vida
formigando, diluída na extensão da luz
por todos os vales e montanhas
na imaginação gigante da mente humana
e quantos brilhos se reflectem na tua cara
na minha
e no som
propagado na memória
como vozes e em cantos
mais sublimes
que os próprios corpos nus
no esplêndido da praia
e tudo é um arco
mais alto e quebrado
com a elegância do gótico
mais Oriente que o arco-íris da atmosfera
e tudo é mais que a alegria
uma força um poder mais que tudo:
a euforia!

É tudo fantástico...
É tudo fantástico...
o olhar.... a promessa do abraço
o beijo falado.... o segredo dado!
tudo éter...tudo indistinto!
com o dia e a luz mais o vento
um único momento!
um passeio pelo frio
a Al Berto
e a O. Bittar
toda a calote atmosférica seca e fria
todos os sorrisos em atmosfera
e há um corpo silente que passa na cor sem luz
as coisas apagadas que passam por nós são segredos
e neste frio de lâminas não há verdades
e um fio aquece o mocho
e o seu pio aparece chaga
são as dores da Terra, do corpo
e de tudo o que somos.
a noite é o medo, o nosso caminho certo
Sou uma borboleta branca que passa indízivel e sem som
como um corpo no espaço atirando-se à água
E há tudo cá dentro que não se percebe por fora
o frio não entra, o calor não sai
Há precípicios na pele, rostos nas palavras malditas
os percursos são como árvores estendidas desertas de corpos,
nos ramos e nas folhas que não existem há paradoxos abertos por nós
e tudo turbilha no vento dos olhos
visões esplêndidas cintilam na morte,
são todos os suspiros que se sabem
há matos por beber para se ir mais longe
e sempre aquele frio
e sempre a pele
e sempre
os percursos
e as árvores
e os corpos
as palavras na métrica opaca dos signos...
não há fogos para abrir o cérebro
há sorte e azar
há o destino
há o poema que salva!

devagar
devagar divagando
com o passo fútil
e com o amigo ócio
por baixo dos muros ocos de gente.
e a praça é o distante infinito
só na minha peugada, a minha sombra
um cão come um osso
o sol verte a ácida luz
tudo é espaço tudo é tempo
e há um formidável pensamento:
tanto eterno num momento!

Há quem nunca tenha ouvido um uivo de lobo
Há quem nunca tenha ouvido um uivo de lobo
como aquele
naquela noite noite
que arrefecia o nosso sorriso,
um uivo longo desesperado e angústiado
como se a noite se partisse,
e não era só temor nem ideia, era
toda a Terra quebrando como um sismo telúrico.
Toda a noite se partia e a morte e o medo faziam parte
da nossa existência.
Tinha eu 12 anos.
Era um começo e era um fim.
Daqui
daqui se vê a semicurva do dia
e não há penumbras.
o dia mostra as coisas e as pessoas
só o tempo as conjuga!
a noite como se jorrasse vinho que baste
a noite
como se jorrasse vinho que baste
e as cordas das vozes
simultâneas
às chamas dos toques dos dedos nas pernas delas
como correntes de lírios ardentes em côr
e sem trocar o dia pela noite
aceitar o vinho das palavras
como sedas nos desertos
com a sede das raízes das plantas
a noite como se jorrasse vinho que baste
ainda é a fórmula antes da felicidade
e a felicidade são momentos que só os poemas aglutinam nas cadeias do corpo
como se jorrasse vinho
a noite
que baste!

muitos outros
hoje vi as árvores qe não vejo
nas copas dos rostos
nas braças dos olhos
nas raízes das mãos
dos outros
porque há um serpente emplumada
que segue como um rio
por entre a lâmina do tempo
das coisas para os outros
e eu no poema sou o topo da cadeia alimentar
com palavras e muitos outros.

os que saem da nossa vida pela morte
pela morte pode estar o nada
e eles que saem
e nós na nossa vez
deixaremos de ser como a lenha que arde naquele fogo.
os que saem da nossa vida pela morte
do que se sabe serão nada
e o que fica deles
é muito maior que a morte
como a grande árvore depois daquela janela.
É essa a glória dos que morrem antes.
Não podia ser de outra forma, eles têm de ser mais que nós
ninguém em sangue suportaria outra memória.
Os que saem da nossa vida pela morte têm sempre a vida a brilhar nos nossos olhos
com a nossa terna complacência.
Que se afague aquele em dor que viu partir o amigo
lembra-te: nós somos só alma
e o corpo uma palavra em carne do espírito
é isso que a morte nos ensina...
apenas ficará ainda a pergunta, e para lá do segredo?
Isso na nossa vida não saberemos
só eles saberão...
...os que saem da nossa vida pela morte!
A turma do 12º M de OED
( Ana, Diana,Mariana,Liliana,Sara S, Sara Sc, A. Luísa, Joana, Carina, Celine V., Celina S.,Selénia, Rodrigo, João, Francisco, Francisco N.,Daniel, Bruno, J.Pedro,Nuno,J.Afonso)
no poliedro do redondo do mundo
também há uma face escrita de 21 rostos
formam uma turma e experimentam a alma
no equílibrio dos olhares e das palavras
muitos ainda têm os olhos pregados no corpo
e o mundo é só uma imagem.
Como os outros que passaram também experimentam o vento
e ousam o toque no fogo
sabem lá eles o futuro mas ousam o riso
São de carne como eu e como os outros
mas ousam a ideia e não pedem licença para o acto
tudo igual como sempre como os outros
mas já têm a memória
onde ficarão para sempre
os Zeferinos e as Matumbinas,
os meninos brincando no sótão,
e outros personagens como os soldados de chumbo,
os monstros grunch, as bonecas de trapos, as bailarinas,
as caricaturas do nosso tempo, as almas vividas
os sorrisos trespassados uns nos outros.
Porventura lembrar-se-ão um dia de uma bola azul
e da experiência do espírito e do corpo,
farão calor na expressão
e darão valor aos homens e mulheres do mundo.
Um dia, sonho, irão ao teatro.
Como os outros sorverão as palavras do dramaturgo,
rir-se-ão na comédia, chorarão no drama ou na tragédia
mas saberão que aquele mundo para lá do palco
que para o ingénuo é mentira,
é na verdade a vida
autêntica, crescida, vivida e aumentada
e o vento que foram e o toque no fogo que fizeram
cresceu e rebentou
e o teatro que vêem
é uma árvore
que lhes dá o fruto mais nobre
que eles um dia também semearam!

As pessoas não são belas...
As pessoas não são belas...
há o medo...
as riscos de grés preto nas caras
os seios firmes são tortos
e os traseiros são gazuas quebradas
são riscos de medo
polvilhado pelo ácido das chagas da vergonha
e se a verdade é esta
requiro o belo
e quantos poemas precisamos explodir no ministro do tédio
que se perca a vergonha
sorva-se as palavras molhadas dos poetas
e se espante o degredo
e se o grito não vale
quebre-se com fogo o legal plácido
e se torneie o sorriso
e que se o copie daquela
sempre fresca lá no monte da coragem e da certeza
criada como uma planta da liberdade
e da flor
o fruto
e da baga
o vinho
bebido quando calha
e
um copo para todos
por todos!

ocre ou o já Carnaval
com o ocre espalhado nas goelas
e as cores na terra
edifica-se, horizontal, o corpo da festa
tudo é terra primordial
e já se esventra o Inverno.
os ritmos dos dedos estivais
ensolaram o terreiro do rito...
A palavra inventada, displicente no letreiro,
Mas
é Carnaval!

Jonathon Rosen
dor
há uma dor constante
nas bocas
no tecido das palavras
no úmero dos olhos
no capelo das mãos
quando se toca nos outros
quando se percebe os outros
(e os outros por coincidência também somos nós, por sentido
e por perspectiva universal)
essa dor nem sempre é triste mas tem o vigor do Segredo
odiada e amada
é
a nossa diferença para as pedras e das montanhas
da água ou do fogo, do ar
Será possível comprrendermo-nos sem essa dor
e o depois prazer?

mata
Quase tudo é impossível daqui
nem a lua remete o sol
nem a montanha acolhe o vento
nem os rios correm para juzante
todo círculo se fecha como noutros sítios
e as quadraturas concluem-se centrífugas e centríptas como noutras ocasiões
e as sequências numerais exigem o infinito
os poemas são possíveis mas não têm gente
as palavras decaiem oblíquas das bocas para as caixas
as ideias são elipses de tempo
e há a espera...
e eu mudo de destino
não há memória porque não há tempo
mas há paz e o silêncio
isto não é a morte, é um lado do corpo!
Aqui há dor mas não se exige o grito
e há toda a terra mas não há uma única flor
o mar superlativo, no mapa, é a ponte
na outra margem está a cidade soberba
aqui ainda se cava um buraco aberto noutro poema
porque essa luz feita da novidade que vejo no horizonte
não promete, mata

pim!
vitela com arroz
batatas com feijão
formigas no prato
pato de cebolada
enrola a meia preta
mais peta mais verdade
em cima da bica um bolo
assim se faz um tolo!
zás! trás! pás!
um dia
uma noite
um tempo
o silêncio do doente
a avestruz da palavra sorri quente
quem sabe sabe
pim!

por momentos pousei em si!
E há um vazio depois da palavra
ou outra palavra depois do vazio
no meio
simplesmente
o
corpo
o verbo icontinente da ideia aberta
ou
tudo se retira retira se tudo
cheio
como um arco de poesia que basta
a sede dos outros
e isto não é importante. É
as histórias não são importantes
As histórias são importantes
Há muita gente importante
quase tudo é importante.
A sorte que tudo é
Tudo é incomensurável
e eu, eu,eu
obrigado pela leitura
por momentos pousei em si!

da vontade de ver
Surpreendemente verdade
o voo el
iptico d
o pássaro
o ritmo d
o verbo
a flo
r sedim
entar no jard
im claro
o mar plan
ado na cor
mas há um código complexo
que nasce
da vontade de ver...
password: Ser