
Um cientista sorri
Como um pássaro de fogo,
Emerge um rio verde e rubro nas escápulas da pele,
A cúpula de som cava o vazio nas odes da cidade,
Os pinheiros translúcidos deitam a lua memórica.
Há toda a gnose liberta nas falas e nas palavras secas de som.
Há um verdete na lucidez dos vidros das montras, lágrimas brancas nos olhos.
E não há morte.
É um tempo que não cabe na alma e nas Estações.
É um solestício, um paradigma emergente.
Todas as fontes abrem a luz.
Se te dói o peito, o amor desperta em mim.
A vizinha põe a bandeira na janela. Um velho fecha os olhos. O pasteleiro faz bolos.
O mar separado da praia canta, um cientista, sentado, sorri.

Euro 2004
um homem simples com uma bandeira,
uma sombra gémea sem abrigo,
um sol dilatado omnipresente,
uma praça aberta sem horizontes.
os rios, como os outros, perseguem
uma ave doirada, longe da praça,
do homem simples com uma bandeira.
Há portas nesta esplanada, entre os adeptos,
países, e o meu ácido do estômago que faz
infinita a solidão.
A praia lavada pelo mar ígneo
é uma praça sem horizontes
em que solidificamos as cores diferentes das nossas bandeiras.
o homem simples é a alma pura,
o homem que não podemos ser agora.

"Blue Smile" Acrylic on Canvas 12x12" 2001
Yehan Wang
sorriso azul
procura-se a palavra certa
ou qualquer frase aberta
ou um desenho de ar....explícito.
Sou tomado por toda a água...
de um verbo cheio
podia fumar um cachimbo e
estar na banheira...branca
coberto de razão e insoluto no mar
qualquer tentativa e metáfora não conseguem definir
o que sinto...
todo nu ... na cadeira, persiana corrida
delirando com o poema
tentando a existência no tempo passando pelos lábios,
o desejo castanho
e um sorriso azul!