abril 29, 2005

uma noite branca


hoje é uma noite branca
pode-se escrever qualquer palavra com o corpo esquecido,
fazer uma lua de papel com o comércio dos pecados,
olhar o transparente do verbo com uma música secreta.
depois de uma bica. depois de um cigarro.
Sem medo do fim.

Um êxtase de solidão.

Publicado por constalves em 11:34 PM | Comentários (0)

abril 24, 2005

Abril em lixívia


As nuvens secas derretem militantes de esquerda. A esquerda não
existe.

Amanhã só há lixívia.
Para os que restam só há emoção.


Abril em lixívia, mas Abril. Como uma novidade
que se esquece, para esquecer.Todos rasgam literatura.

Há professores com gota. bancários pobres. Todos no cinema.

As nuvens secas.


Todo o meu aplauso.


o vazio não existe, há uma boa longa caminhada, com coentros e muita
sopa.

Publicado por constalves em 10:51 PM | Comentários (0)

Dali morre


Faço de cigarros a pomba travesti de Abril.
Picasso em coma inverte a lua despejando prismas
no chão.
Formidável a bola entra no canto da baliza .Como única realidade.

Farei um monte de Vénus de segredos .


O silêncio
prolonga o verbo. A árvore seca.

um olho aberto é a solução libertária.

Dali morre. Porque o mato.

Publicado por constalves em 10:46 PM | Comentários (0)

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Publicado por constalves em 01:43 PM | Comentários (0)

Abril


Falo-te de um domingo aberto
com um começo por abrir
vê na rosa fechada da saudade ,a semente
deste novo Abril.

Um amor só o pode ser, assim na multiplicação,
na multidão dos verbos e dos rios com todos os caminhos
diferentes, fazendo nós, como outros,
um mar infinito
de poema.

Publicado por constalves em 01:33 PM | Comentários (0)

abril 23, 2005

Dedicatória de um livro que ainda não existe


Mostraste-me a nudez do teu beijo. Esse silêncio não esqueço.
Posso agora construir o ramo de flores que nunca te dei.
É desse aço que farei a turba de poemas de um livro.
Mas nunca conseguirei repetir-te no gesto.
Sei que nos teus olhos claros pousam as minhas estrelas
Sejam esses futuros verbos as tuas rosas.


Constantino Alves

Publicado por constalves em 09:57 PM | Comentários (1)

A árvore da democracia

A árvore da democracia
é a única que floresce em todo o deserto.
Todas as outras, apesar das grandes raízes, são secas
e estéris.

A água, que é inteligente, também vem do céu.

Publicado por constalves em 07:15 PM | Comentários (0)

abril 21, 2005

Para o "Infinito" dia 21/4/05 23:30 horas

A palavra infinito é uma pedra que se quer sempre perto,
Até no bolso.
Pudera a alma ter um peso tão opaco e sólido.
Porventura sentiríamos os nossos verbos.
Pudesse a alma estar sempre assim tão perto.
Todo o corpo infinito.

Publicado por constalves em 11:41 PM | Comentários (0)

abril 19, 2005

Beethoven e os seus amigos

O último relâmpago fez-se com música.
Fecharam-se as portas do céu.

Todos ficámos condenados à visão.

Beethoven e os seus amigos ficaram tocando...

Publicado por constalves em 10:54 PM | Comentários (0)

abril 18, 2005

“Habemus papam”

Deu-se a oclusão do ovo de avestruz. Às 7 e pouco.

Mais tarde se fará uma missa. Sairá fumo branco,

depois de 4 dias, alguém dirá:

“Habemus papam”

Far-se-à uma grande festa. Nunca olharemos as copas verdes das árvores.


Publicado por constalves em 12:16 AM | Comentários (1)

abril 14, 2005

Casa da Música


As pirâmides sucedem os zigurates.
Uma questão de poesia.
Um povo com outras palavras.

Assim nascem outros homens das mesmas palavras,
No vértice de um pêndulo, agora
No verbo do qual tu me ouves, o silêncio
Em que se gera outra violência

Na Casa da Música ouvindo atento o céu.

Portugal.

Publicado por constalves em 12:32 AM | Comentários (0)

Sou um recolector

Sou um recolector, primitivo. Esgravato, tusso, faço poemas.

As palavras são o primeiro fogo que não conheço.

Tenho os olhos cheios de um mar que só Torga conhecerá.

Serei cego, matraqueando conchas contra os verbos.

Um dia sairá voz.

Publicado por constalves em 12:05 AM | Comentários (1)

abril 13, 2005

O primeiro osso


O primeiro osso foi meu, tirado de uma vértebra de um verbo.
Está fossilizado numa sombra de um letreiro de um Banco.
Alguém o pisa tentando cobrar juros. Impossível
Há dez mil anos que sou voz, também nas palavras dos outros.

É um metacarpo, não consigo apertar a mão de ninguém.

Publicado por constalves em 11:48 PM | Comentários (0)

abril 09, 2005

(sem titulo)

Toulouse-Lautrec, Henri


as mulheres riem à lua
pelo desespero da guerra

as mulheres choram pelo brando
afago aos filhos

as mulheres fazem sexo
julgando o amor

as mulheres limpam os quartos
sonhando lar


as nossas mulheres.

Publicado por constalves em 01:29 AM | Comentários (1)

abril 07, 2005

A casa da poesia

A casa da poesia abre-se numa biblioteca de verdades,
de contradições, de cores inimigas, de paz e de formigas,de gigantes e de guerras.
Alberga tomates intelectuais, vermelhos, nacionais, dissónica,
instrumental, prática e pedagógica. Universal na particularidade , internacional.
Homérica e brechtiana, tradicional e experimental. Pepinos e mosquitos, pedras e montanhas. oráculo para poetas já mortos. Catedral para pessoanos.
Silêncios e saudades, missas para verbos, sal, pimenta, versos eróticos, cordeis.

A casa da poesia encerra à meia noite as suas portas, voltem logo com os sinos a rebate, um poeta viveu a morte, estará da manhãzinha aqui exposto para sempre!

Publicado por constalves em 10:39 PM | Comentários (1)

Nadar na vertical


Hoje falamos dos peixes que nadam verticais no Oceano.
Eles não querem nadar horizontalmente. Não precisam.
Nadam na vertical, por genética e personalidade.
Não há luta pela sobrevivência nesta maneira de nadar.

Na verdade, não há peixes que só nadam na vertical.

Publicado por constalves em 01:06 AM | Comentários (0)

abril 02, 2005

as camélias germinam na poesia


Jane Haslem

as camélias germinam na poesia,
como a semente num verbo, como a lua sempre nova,
como uma criança encontra uma palavra.

E todos eles criam este dia de chuva clara,
fazem as amendoeiras ainda com flor.
Faltam-me nomes e poetas no arco da fonte da minha magia,
tudo é anónimo no amor, na paixão, na nossa envergonhada vontade
de viver.
As camélias germinam na poesia, amarelas do doce
das ideias, da alegria dos montes e das árvores. Das palavras nascem dias com
ventos de verbos e poesia. Tudo é exercício, mesmo a ordem para viver, na existência podemos criar as camélias, elas que germinam da dor.
Os dias claros, fazem luas ao sol.
os sinos não dobram pelos defuntos porque há rios
que germinam de camélias em flor.
As crianças estão escondidas, mas eu oiço o seu riso
na chuva clara da Primavera cheia de verbos.

Um dia assim, tenho de chorar.

Publicado por constalves em 12:09 PM | Comentários (0)

Casa da Poesia



A casa da poesia é um sonho que alimento há já algum tempo, gostaria que se tornasse um projecto de verdade, uma casa real. Uma casa onde os poetas e não poetas pudessem conviver, declamar poemas, ver exposições, consultar e comprar livros. De qualquer forma não tenho qualquer meio ou recursos que o podem tornar realidade. Sei lá o que poderá acontecer. De qualquer maneira um sonho como este tem de começar por um poema…

Casa da Poesia

A casa da poesia é o mundo, com o homem lá dentro.

Uma casa de janelas abertas ao novo e ao velho,

Um homem e uma mulher, uma criança e um velho.

Uma árvore de palavras, uma tangerina louca de fruto,

Uma promessa e uma meta, o futuro ao lado da saudade,

Uma viola na garganta de um poeta criando verbos.

Uma pomba no regaço de uma mulher, um seio branco,

Um olho livre, um começo, o infinito de um sorriso.

Das fotografias das dores e dos sofrimentos

Podíamos lá fazer uma oração, bebendo vinho

Cantando uma canção.


Publicado por constalves em 11:50 AM | Comentários (0)