agosto 29, 2005

O cavalo tinha tudo para ser verde


pintura de Chris Wayan

O cavalo tinha tudo para ser verde. Preferiu
As águas, fazer um grande castelo com a areia dos seu poemas.
Por fim descansou na beira do caminho. O Sol ao longe fazia-se vermelho.

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agosto 24, 2005

A casa começa


Imagem da localidade de Ancêde, Douro Litoral, Portugal
(poema dedicado a Sónia Regina Campos, brasileira/portuguesa)

o vendaval vem com o mar,
com toda a sibilina voz do sal,
podia-se erguer todo este medo numa vertical
, fazer destes abetos toda a estrada horizontal.

Podíamos agora comer uns com os outros as novas romãs,
fazendo pequenos casamentos com palavras à toa daquele vento.

Será que queremos inventar o mundo?

Publicado por constalves em 11:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 18, 2005

Este espaço na alma


Como uma pétala pousando no chão,
seguro como um tronco de árvore,
como um pássaro flutuo, no sorriso
daquela mãe, arrisco o céu azul.
Formam-se as tempestades no medo, já fujo
no infinito das palavras, estou mais forte de quarenta anos, tenho mais
lábios no beijo à mãe, à terra. Já os rios das palavras
fizeram o Armagedeon da promessa, da fé.
Surge-se assim com uma poesia simples das palmas das mãos,
eu só tenho esta voz, só tenho todo o mundo no som sublime
do sentimento.

Toca todo o concerto, todo o mundo.

Publicado por constalves em 08:39 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 09, 2005

a palavra mais dura

a palavra mais dura chama-se deserto,
uma planura sem vida, sem alma. Falo
dos desertos de Portugal, do fogo sem paixão, da desolação,
da morte proeminente. Este fogo é deserto, de amor,
de generosidade, deixa-nos desalojados, a dormir sem árvores nas palavras que já não existem.
Este deserto é uma palavra dura e só sente quem a vê de frente. Nos campos
que já não existem em Famalicão, na Memória, na Urqueira, em Cortes.
Que vão fazer estes homens e mulheres? Quem tem que comer este carvão
plantado na areia estéril?

Tudo agora é deserto, decerto todas as palavras agora são duras.
O que nos fará a ter força? Decerto a raiva, como uma labareda sem dono,
urrando como uma semente violenta no ventre da mãe terra.

Portugal.

Publicado por constalves em 10:50 PM | Comentários (1) | TrackBack

agosto 08, 2005

Auto-retrato(lomopoema)


visite a página de "Embaixada Lomográfica do Porto"

Só uma lomografia poderá expôr
a fenda acre do tempo,
no sorriso vincado dos meus olhos,
nas mãos estendidas para baixo,
na febre da pele, do pulsar do peito candente.
Isso é o tempo, habita-me desde sempre,
O Sr. Tempo em todo o seu esplendor existencial.
O Constantino é uma palavra de todo esse poema,
a pequena parte do sentimento, uma experiência vulgar.

porque o tempo vive na carne, no rio
de palavras vermelhas

Publicado por constalves em 08:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 07, 2005

Quadro um de Agosto


possuo todas as estrelas, todos os cometas
desta Galáxia, esses átomos estão agora
prenhes de poesia, circularam pelo triângulo
equilátero do olhar, melancolia e voz . há uma supernova
num verbo que expande a vontade da existência, uma
árvore engolida no Outouno, uma prece diluída na
água da verdade, tudo experiências iniciáticas do sangue.
As estrelas estão cá para ficar, presas no impropério do tempo
engendrado por mim, procuram outro espaço, algures num seio,
na dobra de um ventre para fazerem outro diabólico segredo.

Põe-se a mesa com vontade, o queijo , o pão, a sopa. O vinho
jorrará noutra constelação de átomos, far-se-á o dia seguinte, como a fruta
saltando da flor.

O sol, não esperará, fará outra ilusão.

Publicado por constalves em 09:03 PM | Comentários (1) | TrackBack