O "Diário Poético" retoma a sua regular publicação no próximo dia 1 de Setembro. Fica apenas aqui um poema da minha autoria, para marcar uma data que infelizmente me diz muito. Faz dia 27 de Agosto um ano. Uma tremenda injustiça, o desaparecimento do meu filho resultante de um atropelamento criminoso nas estradas do nosso país.
Constantino Alves

Quando se morre novo não se morre,
fica-se nos outros como uma pele,
vive-se como um segredo aberto noutra voz,
nos olhos, no seu brilho, nas suas lágrimas.
não se sabe nada do corpo, quando se o perde.
dói como uma ferida, a morte,
mas não se sabe por onde se vai dessa forma.
ou porque se nasce, se faz o doer que somos.
jovem morto que se abre em verbo maior,
desvendando todo o mistério,
não há certamente firmamento
que se levante do sangue que o corpo é
A palavra que aqui continua é o fim que é
Constantino Mendes Alves