novembro 28, 2006

Adeus Cesariny sem ponto de exclamação

na morte do grande poeta português surrealista

Que diabo chegou o ponto final
Daquela Pena Capital,
De existir em pastelaria

Que se abra a estrada em liberdade
Livre se ame amando ar.
A flor na gaveta dos Prazeres
Se fique guardando
Na tropelia do dizer,
A voz soando vibre.

O epitáfio anónimo
Do individuo universal.

Publicado por constalves em 03:09 AM | Comentários (0)

novembro 27, 2006

“A vida serve para ser falada”


A vida serve para ser falada,
De qualquer coisa ou de nada,
Fazer o cipreste da saudade
Ou o vidro da novidade.

Crer em palavras molhadas
Rir das dores naufragadas
Corrigir o infinito sonhado.

A vida e falada e ainda vivida
O melhor que se pode tirar
Desta existência incompreendida.

Porque a vida e o falar
É o moinho
Do pão
De cada hora
Mesmo no lamento e na voz desesperada.

Para que se saiba e se faça,
Outra vez o poema ensinado,
Se abra de novo o peito
Mesmo que por nada.

Pelo sol e pela lua,
O vento e a água,
Que dos homens
Continua a charada.

Pelo coração pelo amor
Pela verdade que se saiba,
Que viver é o desespero mais nobre da Terra.


Publicado por constalves em 05:28 PM | Comentários (2)

O mundo perdido de Ísis

Nesta noite quebrada,

um saxofone em solilóquio proclama,

a dor, no beco escuro do coito interrompido.

Cleopátra em cabelo escarlate dói-se,

Na espiral da pista de dança,

Um mundo perdido na face obscura da lua,

Alexandria, babel de cultura rompe-se

Num Tom Waits extrovertido, mãe!

È de néon o falcão que voa albino,

Faz-se de grito ísis na mulher deitada,

Na vitima refugiada, na prostituta mais puta,

Na dona de casa. Cleópatra,

Dança ainda mais louca, enxuta,

Desvingada da sua mais louca inconquista,

Do macho no seu seio, no mundo

Perdido outrora a seus pés,

Mais um chuto, na veia,

Ìsis não conhece outra presa,

Um saxofone fala com ela.

A dor cresce em império

Em sexo si maior.

Publicado por constalves em 04:55 PM | Comentários (0)

novembro 24, 2006

eco

Destruí as árvores dos sonhos,

Não separei as palavras da dor,

Não respirei a saudade,

Polui, num à vontade suicida.

Porém a minha vida por fim.

Publicado por constalves em 08:26 PM | Comentários (0)

ilha


Já conheço toda a ilha,

estou por toda a parte,

não me repito,

sou apenas a ilha.

Publicado por constalves em 08:23 PM | Comentários (0)