dezembro 16, 2006

Este Inverno



Começa agora a fazer frio,

a árvore outrora verde está crua, sem cor.

As minhas mãos, castanhas, da terra, lavrar

de onde arde a minha memória,

como na chama

que escava a lareira.

É o Inverno. De dentro, da vida.

De ti, tenho-te de palavras,

maiores saudades que das imagens.

De ti, que me empurra no frio, no aço

das cores, no nenhure do verbo.

Mas estás mais forte, maior,

como mais filho, mais amor,

e eu mais longe a ouvir.

Publicado por constalves em 04:16 AM | Comentários (1)

dezembro 08, 2006

A Wim Mertens, piano da emoção

Que dor que dói cá dentro,

Que canto universal,

Espranto do sentimento,

Dó si lá dó, em dor

Um cântico só.

Que se levante, a fera nota,

Um lá,

Que erga a dor que há!

Se faça música do lamento,

Do corpo em sofrimento,

Se faça tempo,

Do que já não há.

A vida pela vida, em verbo dó.

Publicado por constalves em 12:40 AM | Comentários (0)