
Começa agora a fazer frio,
a árvore outrora verde está crua, sem cor.
As minhas mãos, castanhas, da terra, lavrar
de onde arde a minha memória,
como na chama
que escava a lareira.
É o Inverno. De dentro, da vida.
De ti, tenho-te de palavras,
maiores saudades que das imagens.
De ti, que me empurra no frio, no aço
das cores, no nenhure do verbo.
Mas estás mais forte, maior,
como mais filho, mais amor,
e eu mais longe a ouvir.

Que dor que dói cá dentro,
Que canto universal,
Espranto do sentimento,
Dó si lá dó, em dor
Um cântico só.
Que se levante, a fera nota,
Um lá,
Que erga a dor que há!
Se faça música do lamento,
Do corpo em sofrimento,
Se faça tempo,
Do que já não há.
A vida pela vida, em verbo dó.