março 30, 2007

Precisam-se de anjinhos em Guimarães

Precisam-se de anjinhos em Guimarães,
Para procissão não seguir nua,
Sem alegria e ternura,
Para que os Santos milagreiros,
Não lhes façam mais agruras.

Reze-se com meninos para que a oração pulule,
Que lhes façam dos capitais pecados, perdoadas travessuras.

Publicado por constalves em 02:48 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 22, 2007

O poema

Às vezes por uma palavra, por uma cor,
Pela vista de um olhar, por um nascer de sol,
um sonho, um luar.
Outras por tempestade, por maré grave,
Terramoto ou dor letal.

Sem rosto, sem voz ou com nudez,
Sem verve ou aridez,

O poeta arrasta-se ou verve,
O poema faz tudo do que é capaz.

Publicado por constalves em 09:51 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 21, 2007

Primavera

Onde está a semente desta Primavera,
Onde nasce o rio da memória,
O fim do fim, ou outro início?

Ficarei aqui no teu colo,
Fazer tempo na tua terra,
Que cresças no meu tempo,
não te esquecerei nos olhos,
Como uma árvore ávida de céu,
Cuidando, florirei.

Não recordarei a tua ausência,
Primavera no Inverno,
Só para saberes, que somos os mesmos.

Publicado por constalves em 09:56 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 12, 2007

Vendo

Pode-se amar vendo,
água, rios no teu olhar?
Só ver, estender linhas infinitas no teu corpo,
adivinhar a doçura do tempo.
Posso tocar-te com palavras, só pequenos versos
de circunstância?
Dedilhar memórias na pele, só de ver, corar.
E dos cabelos, donde trouxestes as manhãs,
os pássaros em romãs?
Ai, que não tenho idade para tanto,
Mas, só de passagem, faz de conta, dá-me o teu olhar.

Publicado por constalves em 12:51 AM | Comentários (1) | TrackBack

Luar

Os dedos brancos na sombra

são a teia da lua

no corpo da noiva frígida nocturna,

a morte,

vestida de nua,

deslumbrando a noite soturna

raiando outra abertura.

Em tamanha penumbra só um louco poeta

Pode escrever poema

Luar tão inverdadeiro como uma palavra

Publicado por constalves em 12:20 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 04, 2007

Outrora

Outrora outro vento,
Outro tempo sem tempo,
Um mar gigantesco, medo,
Outrora a caravela,
A Odisseia a terra sem termo,
O fim sem fim, longe antigo…

Outrora perdido percebendo
O rumo
Outrora que já não é deste sempre
Que me percute este infinitamente nada.

Publicado por constalves em 12:15 AM | Comentários (2) | TrackBack