Não leves a minha saudade,
Não leves este frio que me aquece,
Não sejas esse vento leste,
Não enlouqueças os meus dias,
Desfaz-te da desgraça do teu sentido de tempo,
Infinito,
Essa cor assassina que não se detém.

Do que se sabe começando?
Que se rebenta a pele em tempo,
Que se abrem as veias em verbo,
Que se faz húmus do sentimento.
E o mundo é o tormento,
Só se precisa de silêncio
E alguém traz o vento,
Faz-se raiz e o caule levantando.
Tudo automático, naturalmente germinando,
Mesmo que se não queira,
a alma fechando.
Deitar ao mar a última palavra,
Para que os peixes também saibam
Que o mar também teve outro lugar,
Entre o corpo e a alma,
Nos naufrágios e achados
De homem a compreender.
Nada mais restará à última palavra
que esse vital sermão aos peixes,
talvez seja a sua hora.