as pedras brancas de mármore
começam a noite , do alvor não se sabe o tempo,
voam esquecidas as corujas,
bebendo azeite das vítimas,
como se houvesse outro mundo,
por não haver voz ou falta de luz.
Não chego às aves,
Esta raiz que se deita comigo
Precede o meu voo,
Lançarei à terra uma semente.
Na planta alcançarei o céu.
Quase voo ou desejo.
Como no Big Bang,
apenas uma ignição.
Uma centelha tremenda,
fazendo palavras de palavras,
corpo, alma, coração.
Calor que se perde nas telhas,
chama que arde em pavio.
Do eco se urdem as construções,
os homens juntam os verbos,
dos livros os sonhos estabelecem governos
muito para além do tempo.
Neste eterno efémero nos prendemos
aos barcos,
Pirogas que se estendem aos milhões
nos braços dos rios.
Do mar se sabe tudo,
que a falda da vela já voa há tanto.
Um espelho partido
que parecia inquebrável,
dessa alma completa
não se sabe paradeiro,
apenas que ficou sem cara,
e uma música infinda no ar.
É impossível que esta moeda seja uma moeda.
Pela luz que reflecte, o seu verbo.
Do seu peso uma existência.
A dança do seu rodopio na mesa plana,
A minha vida brilhando numa lágrima pingada.
O seu som ensurdecedor da volúpia do movimento,
Os actos que me queimam,
Esta moeda da minha vida trocada,
Não sairá do meu bolso das certezas,
A minha prova
No deve e haver da memória,
Faz-se em dinheiro a tristeza
Eu e a quase aurora.
Tudo o que eu sempre quis está nesse momento.
Nada se pode fazer com ele, fugaz.
Desse ponto de partida e chegada,
Nascem palavras batentes que fazem a voz,
De que se levantam em poemas, abraços,
Olhares concorrentes de compreensão.
Já nascem sentimentos das nossas mãos,
Ouvem-se rumores da emoção de te saber comigo em todo o tempo,
para lá do lugar,
Quando eu já não te souber ou que já não venha para jantar,
haverá uma água antiga que um dia te cobrirá devagar,