novembro 24, 2007

Pequeno tempo

Só somos o gaiato dos olhos enormes,
o garoto negro de barriga inchada,
a traquinas das tranças ensolaradas,
Somos esse pequeno tempo e só queremos tudo
num brinquedo
Mas somos grandes e aumentamos.

Publicado por constalves em 12:59 AM | Comentários (1) | TrackBack

Do outro lado do mundo


Do outro lado do mundo
vê-se uma estrela que nunca vi
e isso é novidade,
maior que o maremoto do Bali,
ou a ditadura de Burma.
Pudera eu que a pressinto,
ofertar-lhes Esse brilho renascente da novidade.

Publicado por constalves em 12:41 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 13, 2007

A fuga das palavras

Há dias que as palavras descansam,
Lavam-se de significados talvez
Em ruas desertas que descansam de multidões.
Ou desaparecem por segredo,
num convénio de exactidões depois de exauridas
de perversões, de incorrecções de destemperamentos.
Talvez não gostem do uso gratuito, da verborreia, da verve aldrabada,
Talvez se cansem dos cansados,
Dos sujeitos predicados, dos nomes adjectivados.
Todas elas devem regularmente visitar,
A matriz, o grande lago gelado,
o cristal adverbial,
do Verbo,
alto altente, mago do mistério.

Há também dias como hoje
Como se o sangue fosse espada
Que retracta a palavra.
Ou vão para os anjos
Que as usam nos perdões e desculpas ilimitadas

As palavras, talvez apenas tenham personalidade sensível
E fujam deste assassínio em massa,
Ou percebam o seu efeito limitado
Que o que está a dar é ter muito dinheiro,
O mesmo com que se compra o dicionário.

Publicado por constalves em 09:56 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 11, 2007

Vida nocturna das árvores


Imagino a vida nocturna das árvores,
Que saem como aves das raízes,
Voando almas, libertando-se da matéria.
Multiplicando deuses, exalando sonhos.
Voam livres de um canto contido,
Do que vêem do que ouvem do que sentem,
Dum saber infinito da espera, da testemunha.

Ou não sentem? Ou não vêem, ou não ouvem?
E o seu voo nocturno é uma metáfora
De um lamento,
Como eu no sofrimento.

Publicado por constalves em 12:41 AM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 05, 2007

Coração digital

Uma máquina de escrever,
Qualquer máquina digital actual, é o meu coração.
Lá tem o universo inteiro, pisado, esmigalhado
Por todos os dedos, por todos os mortos
Que nos ficam nas mãos. Há as palavras,
Almas, que espirram dos dígitos,
Exumem-se em versos, em predicados
Ensanguentados, depurados num qualquer chavão.

Preciso desta tinta digital concêntrica,
Que se crava
Em poema,
Em click clack geometricamente irregular.
Deste som a vazio, deste temor telúrico
Do Hades do monitor,
Do abstracto da inexistência,
Da chama intensa do nada computador.

Zero e um, um byte ou um bit tanto faz,
Mas que faz sentir…Ah!

Publicado por constalves em 10:51 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 04, 2007

árvore

Tão forte esta árvore
que abraço todos os dias ao amanhecer.
Tão forte, mais que uma ideia ou um sonho,
Uma árvore que eu admiro e os outros não vêem,
Uma árvore de amor persistente,
que não caduca o sentimento.
Tão forte, mais forte que eu.
Eu, que não vejo a morte.

Publicado por constalves em 02:35 AM | Comentários (0) | TrackBack