Ano a estrear, branco,
completamente direito, capaz.
Tempo, futuro aberto.
Estaleiro de novidade.
Que se abra também o peito,
com este limpo fermento à felicidade
Nada se abre,
parece tudo opaco
e fechado.
Parece tudo noite,
Das noites brancas sem luz,
Como o sonho fosse pedra.
O não haver é água,
Um mar indefinido
E frio.
Mas há melodia,
Uma melopeia de dores,
Que encanta a vida,
Desaba-se.
Só a memória arde
Na saudade,
E sobe-se o íngreme da felicidade,
Como um monte sem cume.
imagina um pedido sem boca,
a promessa sem verbo,
o sonhador sem sono.
Como o nada sem fundo,
só imaginando, o resto é dor.
Em toda a cidade está essa sombra,
em cada braço, tatuada no corpo,
nas palavras, qualquer nada,
onde há luz, onde houver o que houve,
o que se fez.
estarei deitado, quando te mostrares,
estarei fingindo palavras, prostrado.
esmagado, já não sendo.
o tempo sem luz.
Bom natal, desse, dos nascimentos
e de alegria.
desse, da memória e da saudade eterna.
da justiça e da liberdade,
da que faz brotar pinheiros vivos
da semente dormente.
E que de tudo isso se dissemine e se faça fartura
para entupir a desgraça!
as palavras, onde pus as palavras,
onde estão os gritos, as lágrimas,
quem sabe das memórias, do norte em casa,
aquieta-se na noite e não se sabe das glórias,
escreve-se e não se abre a alma,
dorme-se sem lareira, aborranha-se de terror,
do vazio,
que é esta vitória
de ficar sem nada.
que horas,
23:07, uma hora qualquer, na minha história.