Como livros, empíricos,
arrumados em sabedoria nas ruas,
por todo lado, mesmo no lixo sobrante.
Construídos em estruturas conjuntivas,
por trocos, em carne viva.
Como aranhas prendendo memórias,
como cárceres da vida.
Flutuantes, soberbos botes à deriva,
rumando ao amanhã mecânico, geométrico.
Sem tempestades, num algoritmo perpétuo,
circulando em diante.
Sem peste, pestilando higiene,
num contágio crescente,
expoenciando a ilegítima inteligência,
perscutando a altura da maior cidade.
"Utópia".

és um poema impossível de escrever,
porque és, sempre foste mais que um sentimento grafado,
como caberia o teu olhar num papel.
és, não podemos esquecer,
uma pessoa estimável, com esse grande fundo da simpatia,
que perdurará
para sempre, mais além das limitadas sensações da pele,
estás guardado no nosso infinito interior.
Do teu pai
neste planeta de estradas,
penso viajar,
quero ver de perto almas a vibrar,
contemplar o respeito crescer,
sentir o calor da fusão de várias mãos,
irei até ao fim do caminho, mirar o destino da humanidade,
depois virar.
ao grupo da Casa das Rosas em S.Paulo
A amizade é quase uma pedra preciosa,
tem luz, reluz, rara e valiosa,
tem tudo para ser preciosa,
só lhe falta a sílica de pedra.
não pesa.
preciso te dizer
que a minha aurora já não é a mesma.
Continua bela, num esplendor soberbo,
o tempo, nessa altura faz-se sublime de espaço.
mas há uma interferência,
a tua ausência
que se faz em mim distância.
Não te escrevas aurora, prefiro a dor severa.
à noite recolhem-se os lenços das palavras,
dobram-se em dois, guardam-se com cuidado,
como corações completos.
no leito estamos nada.
as novas palavras tecem outros lenços nos sonhos.
Ao olharmos a manhã, já estamos cobertos
de verbos,
de nada, daí a pouco já somos autênticos.
amei, como sempre soubesse num quarto de hora.
os beijos sobem mais. para quê a memória.
a tarde a toda a hora, essa pele, a minha hormona.
deixo ir a mão tão longínqua como uma estrada,
tão bom saber nada, amar como amei num quarto de hora.
um carnaval como um domingo,
máscaras translúcidas,
confetis de silêncios,
ritmo quase parado.
Como um domingo,
sem graça.
como eu, em paragem.