Sr. José, tire-me uma bica mais cheia se faz favor,
esta tem pouca poesia, pouco café,
bebe-se toda rapidamente
como uma palavra aflita, sem odor
da simpatia, que é servir o cliente com alegria,
como um poema repleto de inteligencia, mais inteiro
e concordante, de preferência mais trabalhado e por isso, como o café...mais esperado.
Ah! que ar Sr. José!
- Sirva-me um café repleto!
Como eu na Primavera, cheio e completo!
as primeiras flores
segredaram baixinho:
"não se riam do Inverno,
austero, rigoroso, faminto,
ele voltará outra vez quando a nossa canção
for perdida no caminho."
a poesia na rua, por essa palavra bandeira,
corre o meu sangue que é voz,
o meu sentimento.
Não é preciso revolução, apenas uma pequena explosão
de 10 megatoneladas de verbos, para acordar
a inércia de mudar.
Temos de falar sério
sobre a circunstância do lugar,
na rua está o olhar.
Ler, aprender com os passos,
a lição a cantar.
Que não há quem receba
este estranho sentimento de revolta.
Que não se saiba o que já foi feito:
Um país aberto a andar!
Sim, na verdade devemos comentar esse tema. Eu próprio participei nessa marcha, assim com em outras manifestações dos professores, talvez não pelos mesmos motivos de todos, mas pela principal questão da ordem do dia, o respeito pelo trabalho dos professores, que apesar de incompleto, não quer dizer irresponsável e menos dedicado. Para mim o grande problema da Educação em Portugal prende-se com a Orientação Pedagógica inexistente no sector público e de organização. O ministério insiste em responder aos problemas com a culpabilização dos professores pelos insucessos, nunca fazendo autocrítica (Quem lá está, está lá há 30 anos) e com medidas legislativas e burocráticas desmedidas e pouco eficazes no terreno. Depois claro, chega-se a um beco sem saída e a saudade de um passado (a ministra já fez a apologia do ler, escrever e contar),(falo do 1ºciclo) escola do passado que não guardo com boa memória ( o tempo faz cada coisa às pessoas! não se lembram da velha escola? era mesmo velha! lembro-vos eu). Claro havia bons exemplos, de bons professores e de bons alunos, mas ficava mesmo pelos exemplos, o resto eram os burros que não aprendiam, que começavam a trabalhar na terra aos 6 anos de idade, das "sopas de cavalo cansado", da Aritmética pouco mais que nada (Matemática 0), Sim aprendi a História de Portugal, dos reis e das rainhas, dos heróis que morriam nas portas dos castelos, da Geografia da linhas de caminho de ferro (cadê o resto que agora se lecciona(actividades econnómicas, tradições e culturas, povos do mundo, Europa, clima, etc.) Onde estava a Ciência Experimental? O que se fazia nas Expressões. Na minha escola em Leiria em 1966/7/8 o que guardo era o terror em que vivia, do professor em palmatória a ensinar os verbos de enfiada (tive de aprender tudo outra vez, 12 anos mais tarde) O que se fazia da escrita e da leitura? Lembro-me das segundas-feiras, em que se ouvia a rádio escolar, uma história, um conto que serviria de mote para fazer uma composição estereotipada.(e eram o melhor doce que tinhamos em toda a semana)
Bem isto para dizer que a Escola Portuguesa actual não é própriamente a bandalheira que querem contar nos telejornais. O que se tem feito de bom em Educação, tem sido feito por professores bem dentro "no terreno", não são nem os ministiriáveis nem sequer os responsáveis sindicais, nem esses lacaios do poder que são os pedagogos deste país que durante mais de 30 anos escreveram montanhas de livros sobre isto ou sobre aquilo e agora estão calados que nem ratos, com medo de perderem os tachos nas Universidades.
Não! Respeito pelos professores, nós também não somos culpados por todos esses males sociais importados por todo esse mundo desenvolvido (que também é cá produzido) das famílias destruturadas, dos alunos que não estudam ( Já ouviram à ministra dizer aos pais que os alunos têm de estudar? não isso parece que não importa!).
Eu quero defender a escola com melhor qualidade, precisamos de ser avaliados, precisamos sobretudo melhorar a organização e de estudar a eficácia, mas não precisamos de arrogância nem desprezo. Claro precisamos de defender a nossa carreira profissional, isso não é legítimo?
Ontem fomos 100.000 professores na rua, foi lindo, foi sobretudo sério, foi também uma lição para outras classes profissionais abrirem os olhos para estes senhores "socialistas" que se arrogam há mais de 30 anos detentores dos melhores valores da hunanidade mas não passam de um conjunto de amigos que tentam "safar-se" à grande e francesa nesta crise. Alguns coitados como esse "Santos Silva" que até já renega o passado, tem vergonha de ter participado em movimemtos de extrema esquerda, que aliás também pertenci, vêm agora dizer que sempre defenderam a democracia, blá,blá.
Que fique a lição do 8 de Março, A Grande Indignação!
Ainda cresces por entre os meus dedos,
por entre os ramos das minhas palavras,
nas linhas de luz dos meus olhos,
ainda voas nas asas das bocas dos teus amigos.
Nada há de eterno na Natureza,
mas a experiência do sentimento
é o mais idelével composto da combustão.
E eu juro-te que o planeta arderá.
passa a palavra:
escola.
tá na hora de não dar o fora.
escola.
Alguém pisou o gato, tinha o rabo de fora!
escola.
não penses,
passa a palavra.
Quem fez a multidão?
Quem não sabia o que era.
a escola.
Para onde vamos?
não sei, estamos ligados.
vai passando a palavra,
mesmo que não se ouça,
eu sei que tu também a adoras,
a escola.