na cidade das mil coisas não acontece nada
os mil movimentos instantâneos, as depressões súbitas,
o intenso tráfego electrónico,
são rotinas enclausuradas.
Ao invés, no deserto aberto,
ao solitário perdido chegam multiplos universos
de agitada incerteza sobre o rumo a levar,
uma imaginação fértil divaga omnipotente,
como um criador diante do nada.
É essa tempestade que nos falta sempre,
que nos leva também as Finanças,
cirurgicamente 40%
Quem trava a rotação da Terra?
Serão os povos na sua mutação de sobrevivência,
as árvores tresloucadas de Primavera,
os animais selvagens em perigo de extinção?
Serão os gritos de união das raças, da solidariedade
nas tragédias, as bandeiras da dignidade dos homens,
Ou
a pequena moeda sintetizada
da monstruosa ganância generalizada,
talvez seja mesmo esta pequena peça atómica
a impeçar na engrenagem,
que deixa a noite tão parecida com o dia,
tanto na meteorológica aparência,
como no íntimo da cultura humana,
que nos faz ridículos
ladear amor com cêntimos.
ao meu Miguel
não se pode esquecer essa tarde de Sol
seríamos imunes
à radiação, talvez fossemos muito pouco sensíveis,
como nada,
mas somos sombras desse Sol,
consequência progenitora desse gene,
um paradoxo físico que só se explica no amor.