escrevo mal sobre o dinheiro
vilependio-o por vezes, merecidamente.
Mas na verdade não o desprezo,
regulo-o.
como o escárnio modera a indecência,
reduzindo-o
à utilidade pública,
à tolerância,
ao aleatório democrático,
ou como seiva num pau seco,
granjeando renascença,
na morte predestinada.
o dinheiro, tão pouco poético,
mas emérito utilitário.
onde estão os sentimentos?
talvez guardados, talvez.
talvez quadrados no fundo de um lago.
para quê saber...
o mundo rola circular.
re faz, re emerge, re satisfaz,
re transmuta , re lembra,
re materializa,
no caos,
a paz
o novo dinheiro cheira indecentemente a vazio,
do nada pode-se fazer a Terra prometida,
pode-se inventar um dicionário,
fazer um filho, pode-se
semear uma árvore da sabedoria,
escrever um hino idolatrado,
mas cheira sempre a dinheiro, vazio,
este novo que chega a Portugal inteiro,
como clásula obrigacionista,
para um país "verdadeiro",
sem Deus, diabo e vigarista.
dinheiro, pois então, não fundamentalista,
uma graça que atenua o credo,
mas que não seja tão novo,
tão humanamente esotérico.
de plástico, incrédulo.
Envias-me uma sombra
e eu sei que és Sol noutro lugar.
Verão,
em todas as bocas
uma palavra recheada,
de campos ensolarados
e de frutos exarcebados,
plenos da sexualidade soberba,
o céu, distinto azul em liberdade.
Embora Verão verdade há no homem humanidade
um precalço,
a mentira,
essa repetida novidade,
a inconsequência na partilha.
Verão à janela
ver os pêssegos maduros
e só um cavalheiro os leva,
por dinheiro