e um espectáculo, no espaço ginjal, a Cacilhas, Lisboa
um sentimento cortante, de desespero e luto,
a consumação da nossa alma, a luta,
um grito opaco de silêncio contra a tirania do sistema.
Há ainda quem acredite na revolução, inevitável.
talvez se faça de novo sangue, como uma árvore que brota de novo
da terra, talvez só por justiça, talvez só pela ideia, talvez só pelo nome,
de cada um, já morto no próprio sangue.
um espectáculo de solidão,
a tristeza já mora nos lábios da revolução?
inequivocamente aberto, a dúbia leitura,
A revolução é para já!
espectáculo de Miguel Moreira
Quando cruzamos os nossos olhares
cruzamos a nossa vida,
um raio de tempo transparente.
Ficamos com a pele dos sentimentos de nova seda,
embora saibamos que são apenas os nossos olhares
as noites fazem-se novas,
50 vezes na minha voz,
50 trombetas de gratidão,
por estas noites que me parecem dádivas,
embora não conheça a nocturna dimensão.
"Não temas o silêncio quando já não há palavras
nas tuas mãos"
Elizabeth Azcona Cranwell
trad. de Alice em http://theresonly1alice.blogspot.com/
sempre me disseram a estrada direita,
sem vidros comendo as sombras.
por entre as áleas,
correm atletas como eu,
vidente cego.
as estradas não foram inventadas,
são raízes onde nós fazemos
filhos e erguemos áureas,
soberbas cidades
do nosso eu.
castelos sem muralhas,
crescendo árvores.
(dedicado ao grande Alberto Pimenta e ao não menos grande Mário Cesariny agora olha pois.e já agora ao Nadir Afonso esse enorme artista)
do alto do todo poderoso governo maioritário monetário intercontinental, amen
decretou-se a moratória excrecionária,
extraordinária, ponto final:
acabou-se, o general cagou-se.
Não há dinheiro, a taberna, tavernou-se.
está gasta .
acabou também a burguesia, não ia à catequese do filho da puta,
peidou-se.
agora olha pois.
a justiça é uma seda
tecida na força
embora só a sabedoria saiba a forma e a medida
Vingança?
ou justiça?
Da segunda, da verdadeira
que nos constrói de vítimas a homens,
Como aqueles, normais
comendo torradas, sorrindo.
Nada de vinganças,
nada que me culpe do que não fiz,
que me macule desse mal,
quero a justiça,
que me constrói a paz.
O tempo passa,
bate
e bate, fustiga.
Como na folhagem da árvore
um vento demente castiga
a sua existência explícita.
Sou como essa árvore exposta
que implora,
inversamente
proporcional justiça
os primeiros frios
vêm devagar,
naturalmente determinados.
largamos os ócios inveterados,
naturalmente desasjustados,
pois já vai
a semente acordando,
a terra
exalando o grito,
tudo o que arde
viverá.