Subir a montanha incessantemente
é esta a nova aventura de Deus protagonizada pelo homem.
No fim da montanha estará novamente Ele, ou o ar, ou nada
e tudo recomeçará?
vou de encontro a todos,
não gosto de luas e outros astros,
não sou um cometa, rasgo ideias
e encurto caminhos,
elaboro a morte,
executo as palavras,
não sou um corpo, transvisto-me de alma,
sou um pequeno crepúsculo,
mas tenho a face escarlate.
não, não sou um revólver,
sou como um virús,
sou uma bala vinda de nada.
estou cansado,
pouso a cabeça na beira da estrada.
lá longe, no horizonte da utopia
desenha-se uma cidade,
talvez se possa construir aí uma casa
onde possam florescer novos poemas.
a minha cabeça na beira da estrada.
Não há vento esta noite,
todas as árvores recolhem o oxigénio,
porventura haverá novo dia.