
Portugal é fixe nas vertigens das escarpas dos castelos medievais, na planura das praias Atlânticas,
no sol sincero e vertical, nos campos fecundos do Ribatejo, na razão fria de Trás-os-montes, na sinuoisidade caligráfica do Douro.
É fixe na alegria do vinho tinto, na seda do vinho branco, nos cheiros dos churrascos, no sorriso honrado de um idoso. Tudo aqui é fixe menos o colarinho branco, a gravata ao xadrez , o sapato Versace. O Benfica é fixe, o Sporting também, pudera o FCP também sê-lo. Os dirigentes desportivos, os caciques e especuladores não são fixes, não gostamos nada deles, também alguns intelectuais, escritores antiquados e pseudo-artistas pós modernos podiam tirar umas férias vitalícias, não são nada fixes.
Fixe é a voz da Amália, Dulce Pontes, do Zeca, do Carlos do Carmo e felizmente de muitos mais. Não é fixe não ser muito competente, ordinário e vadio, pudera todos perceber que só temos a ganhar com limpar o nosso nome
como povo desleixado e pouco certo.
Podíamos ser sempre fixes se percebessemos a benção da cidadania, dever e receber, construír a cidade democrática num país que é tão fixe, que tem poemas tão loucos, escrita tão amiga do ambiente. Heróis não faltam, a coragem está em cada braço dos portugueses.
A bandeira é pouco feliz, o hino pouco fixe mas, não é aí que está o país, está no sussurro da água a mourejar contra o cais, no castanheiro a ondular, no pastel de bacalhau a fritar, nos nossos sorrisos abertos quando temos uma história a contar, na simpatia aos outros que nos vêm visitar.
Portugal é fixe mas temos que nos encontrar, no trabalho persistente e no cuidar. Talvez de vez em quando olhar a rosa, observar, como uma coisa tão bela dos espinhos foi precisar. A rosa, é fixe, como pode ser o todo Portugal