
a palavra mais dura chama-se deserto,
uma planura sem vida, sem alma. Falo
dos desertos de Portugal, do fogo sem paixão, da desolação,
da morte proeminente. Este fogo é deserto, de amor,
de generosidade, deixa-nos desalojados, a dormir sem árvores nas palavras que já não existem.
Este deserto é uma palavra dura e só sente quem a vê de frente. Nos campos
que já não existem em Famalicão, na Memória, na Urqueira, em Cortes.
Que vão fazer estes homens e mulheres? Quem tem que comer este carvão
plantado na areia estéril?
Tudo agora é deserto, decerto todas as palavras agora são duras.
O que nos fará a ter força? Decerto a raiva, como uma labareda sem dono,
urrando como uma semente violenta no ventre da mãe terra.
Portugal.
Publicado por constalves em agosto 9, 2005 10:50 PME versejando desertos, você nos traz oásis...
Muito bom descobrir este espaço!
Abraços,
Afixado por: Roberta em agosto 13, 2005 06:58 PM