
O teatro está preso numa palavra, é preciso voar com os pássaros,
perdoar a Ícaro, fazer do barro um novo Prometeu.
Como o fogo, um verbo incendeia todas as árvores, é preciso
buscar outra vez o mar, procurar Teseu nas viagens,
fazer o livro das asas. Não podemos amar, há uma regra
no deserto que é preciso desobedecer. As miragens
são a gravidez da alma, o sonho louco das janelas das praias.
Uma multidão abraça-se na morte de Macbeth. È o outro lado da lua.
O cálice transborda o dia. É preciso cuidar, o teatro está preso numa palavra.