setembro 26, 2005

Alcobertas


imagem lateral da igreja de Alcobertas, Rio Maior. O que vêm é uma anta com milhares de anos integrada, como capela, na igreja local. Um sítio a visitar. Entre as serras de Candeeiros e de Aire.

A Anta, o olho de água,

o céu aberto, todo o vento,

querem dizer a terra.

O coração, como a pedra,

salientam o sal.

Todos os dias se abrem assim,

na voz quente das gentes,

querendo viver, querendo o ar.

E das fragas das serras dos Candeeiros e d’Aire

chega com o vento a canção.

Saudades do tempo ido,

esperança desesperançada

do amanhã incerto, outono vindouro,

tempo de vindimas,

alegria deste povo.

Por fim, um verbo escapa da boca,

não tem palavra,

não se encontra no dicionário,

Vive nos montes

vem nos ventos.

Há um poeta que o ousa escrever

e só consegue dizer: Começar!

(Re)começar é importante:

olhos enxutos,

pés, bem firmes na terra.

Não há vendaval que dobre a oliveira

nem tempestade que mate o pinheiro.

Mesmo a noite mais enegrecida

traz sempre uma aurora.

25 Setembro 2005; 12H30’

Constantino Alves, Manuel C. Amor

Publicado por constalves em setembro 26, 2005 04:25 PM
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