
a negra tinta é o sangue do verbo,
que disso se pintem os palácios,
as pontes decrépitas, as janelas góticas,
as estátuas defuntas.
Não precisamos de arabescos para a morte,
Que se a pinte de verbo, de morte.
Precisamos dessa luz, para ver.
Com essa negra tinta posso dizer os mastros do Oriente,
Posso dizer elefante, mar infinito, odisseia ou continente.
Esta escassa luz minha é um farol para ver na noite.
Posso incendiar de negro o Ocidente, precisaríamos de outra
Combustão do tempo. Precisaríamos de máquinas, de silêncio
Do mar nocturno, de desdobrar o terror nos dentes, fazermos
De Atila , de huno brutal e sanguinário, de britar pedra do ofício,
De responder a perguntas, fazer abraços com panos, comer cera
Das odes. Precisamos da cor da lua, quando ela nos virar as costas,
Precisaríamos do fim e ele não estar lá quando precisássemos.
Podemos voar nas costas das grandes aves brancas e conhecer todas as pedras,
Seríamos um melhor poema.
Publicado por constalves em outubro 3, 2005 12:09 AM
Combinação bela de palavras e idéias que criam imagens azuis... Certamente emocionas a todos com sua forma de expressar-se. Quanto a mim, estou certa de que serei um melhor poema no dia em que o mar me der a mão...
Afixado por: Deisi em outubro 16, 2005 02:33 PMeu quero ser gótica mais tenho que escutar só musica de goticos ou metal , rock....ou posso escutar outros