outubro 19, 2006

Ode à minha máquina de lavar louça



Cantem os deuses nesta hora tão branca,

Desta “ex machina” implacável,

Ai sucinta tragédia não seria,

Ver estas medusas, gorduras,

Dominarem o planeta, minha cozinha.

Qual titã providenciou esta bela invenção,

Prometeu por certo saiu do penhasco,

Matou esses abutres de Zeus, esse

Que pelo seus tamanhos pecados

também soltou

da pandora tamanhos micróbios.

Oh! Prometeu que nos destes

Esse também formidável “fogo” “Zanussi” e “AEG”,

Pudera também Cristo, que tanto te copiou,

Pudesse fazer essa parábola:

Limpeza e lavagem a 60º,

Reerguendo o morto do Sepulcro,

Eu,

Que não era mais que um súbdito

desse imundo Hades.

Ai Antígona, do meu corpo imundo,

Manda-me também uma máquina,

Para me banhar em autómato,

Mesmo que a lei de Creonte não o permita,

Está em jogo mais que Tróia,

Este mundo.

Publicado por constalves em outubro 19, 2006 10:55 PM
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Afixado por: seila em novembro 23, 2006 12:08 AM
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