fevereiro 05, 2007

Ar


Não se encontra, não se bebe,
Não se luta, não se vê,
Não se grita, não pertence,
Não se troca, não se olha,
Não se faz, aparece,
Rasga-se no meio dos dias,
Das bandeiras, das palavras,
Das fronteiras, dos murmúrios,
Ergue-se por dentro da roupa,
Das veias, iceberg de fogo
Que se abre,

Que vive nos outros da minha carne,
O poema,
Que nasce de qualquer espermatozóide,
De um deus tão imperador.

Às vezes só quer dizer o mais importante: ar.

Publicado por constalves em fevereiro 5, 2007 04:47 PM | TrackBack
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