janeiro 03, 2008

Vendo-me

Vendo-me , pelo alívio da luz,
ou pela forma da noite.
Vendo-me de casaco e sapatos pretos,
com poemas etéreos na algibeira.
Vendo-me desconfessado do pecado,

Vendo-me por nada que substitua o tempo.
pela controvérsia do sentimento.
por fogo, que ferva a água
por ardor que enfole o grito.
por semente que cresça o peito.
por palavras que imitem vida. por uma palha,
por um seixo que me couracem a alma,
para ver e não olvidar o que do mundo sinto.
pelo poema, pela voz, país independente.

Nesta inobilissima cobardia,
lamento, o que me compra o que vendo:
a vida ,
vade retro tanto lucro.

Publicado por constalves em janeiro 3, 2008 10:39 PM | TrackBack
Comentários
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?