Ai, os vivos, com aquela irritação, o sangue,
a desperdiçarem tempo,
a fazerem de conta, como imortais emprestados.
a amarem como sílabas fundidas em palavras,
a usarem verve, aquela coisa nojenta, o sentimento,
e outros alugueres, o corpo.
a alma também a querem, paradoxo,
deve ser maladia da existência, a temerem,
a vociferarem sem saberem,
raios os partam de tanto tentarem,
não lhe chegava a voz, ai que dor de cotovelo,
pranto e desvelo, quase choro,
sobretudo inquietante, este desejo
de serem, e os piores,
aqueles gatos pretos, empunhando os santos instrumentos,
a quererem do nada, poiesis,
que mais querem, que ande nua?
Publicado por constalves em abril 21, 2008 11:34 PM