abril 21, 2008

poiesis

 

Ai, os vivos, com aquela irritação, o sangue,

a desperdiçarem tempo,

a fazerem de conta, como imortais emprestados.

a amarem como sílabas fundidas em palavras,

a usarem verve, aquela coisa nojenta, o sentimento,

e outros alugueres, o corpo.

a alma também a querem, paradoxo,

deve ser maladia da existência, a temerem,

a vociferarem sem saberem,

raios os partam de tanto tentarem,

não lhe chegava a voz, ai que dor de cotovelo,

pranto e desvelo, quase choro,

sobretudo inquietante, este desejo

de serem, e os piores,

aqueles gatos pretos, empunhando os santos instrumentos,

a quererem do nada, poiesis,

que mais querem, que ande nua?

Publicado por constalves em abril 21, 2008 11:34 PM
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